(Quase) 50 livros em um ano - parte 1

5 de novembro de 2013

No início desse ano fiz, para mim mesma e disse aqui no blog, a proposta de ler 50 livros. Não nomeei nenhum título de antemão, porque 1) não tenho uma lista de livros desejados para ler tão extensa assim e 2) não queria que a lista se tornasse obrigação. Tudo o que eu desejava era chegar ao número cinquentinha de leituras espontâneas. Comecei empolgada lendo os que eu tinha aqui em casa e depois, quando começaram as aulas, parti para a biblioteca da faculdade. Mas toda essa empolgação foi diminuindo aos poucos: talvez não por desinteresse completo na leitura, mas por não aparecer títulos na minha frente que me chamassem a atenção. Dão a isso o nome de ressaca literária e acho que a minha durou um bom tempo. Só recentemente é que retornei aos livrinhos e deixei a minha lista aumentar mais um pouco.

Estamos em novembro e na minha contagem constam 26 livros lidos. É certo que não conseguirei ler mais 24 em menos de dois meses e assim completar os cinquentinha, mas de qualquer forma me sinto ~uhull \o/~ vitoriosa por ter tido o ânimo de ler tantos. Listei aqui parte das leituras, junto com meus comentários. Não coloquei tudo senão ficaria um post gigante demais e acho que ninguém se daria o trabalho de ler tudo (né).

Livros lidos

Pra ser Sincero - Humberto Gessinger. Comecei a leitura não esperando grandes coisas. Não estou acostumada a biografias e achei que fosse ser chato nesse sentido. Mas olha, me enganei. O vocalista do Engenheiros do Hawaii adora brincar com as palavras e de ser metido a filósofo da vida. É legal ver alguém contar suas experiências de vida já tendo uma baita bagagem. Ao contrário de quando peguei o livro pra ler, achei que valeu a pena a leitura.

O grande Gatsby - F. Scott Fitzgerald. Peguei esse livro na biblioteca só porque em todo canto da internet pipocava esse nome (o filme com o Di Caprio recém havia saído nos cinemas). Demorei mais do que seria necessário para ler, e no final achei curto demais o livro. As ações aconteceram tão rápido e tão logo veio o final que me deu uma sensação estranha de "já acabou?". Na verdade não sei se gostei ou não do livro.

A culpa é das estrelas - John Green. Ai. Chorei com esse livro. Li porque em todos os cantos via gente aos prantos gritando o quão bom era esse livro, então baixei e li em PDF mesmo. Sabia que tinha como tema o câncer, mas não tinha ideia do que podia esperar. Me surpreendi como podia ser engraçado um livro com uma temática que de costume é tão dramática.

A ascensão do Governador - Robert Kirkman. Li esse em modo automático, haha. Minha irmã apareceu aqui em casa com ele, aí comecei a leitura porque se não me engano tinha nada mais pra ler. E, céus, que coisa bem... nhé. O livro todo é "só" feito com verbos de ação (por isso pra ler só li os verbos, os diálogos eu pulava todos OPS!!!), mas não ação de um jeito legal, que te empolga, sabe? A melhor parte do livro foi  o alívio de ter terminado a leitura. Deixei até de gostar de TWD.

O amor esquece de começar - Fabrício Carpinejar. Eu costumo ficar com um pé atrás quando se trata de coletânea de contos/crônicas, porque geralmente gosto de um só ou dois e o resto me dá desânimo de ler. Sou mais das narrativas longas, que prendem, que têm começo, meio e fim o suficiente pra não te deixar órfão tão rápido daquela leitura (quê?). Mas as crônicas do Carpinejar abraçaram meu coraçãozinho e me cativaram do início ao fim. Talvez em parte porque recém havia começado a namorar meu menino, mas também porque o escritor brinca com as palavras de um jeito ora gracioso, ora cru. Curti bastante.

As vantagens de ser invisível - Stephen Chbosky. Eu gostei do formato do livro. Tudo é contado através das cartas do Charlie para um desconhecido e é dessa forma que a gente descobre a vida dele e seus problemas. Se passa no início dos anos 90, mas por mais que tentem mostrar que "nossa, essa década é a que era legal" não consigo achar graça nenhuma nisso. Sei lá. Achei legal, mas também não é essa Coca Cola toda. O filme do livro ficou melhor que o próprio livro, hehe.

O doce veneno do escorpião - Bruna Surfistinha. SIM, eu li Bruna Surfistinha, e fui lendo no trem, para espanto das velhinhas ao meu lado. Como escritora, Bruna Surfistinha é uma ótima garota de programa. Todo o livro é recheado de descrições das relações dela com os clientes, mas depois da primeira ou segunda fica tudo um ctrl+c ~ ctrl+v que chega a ficar engraçado (tomara que tenha sido essa a intenção dela). Não é um livro que se leva pra vida, mas meus olhos não caíram depois que terminei de ler, então tá ok.

On The Road - Jack Kerouac. Ano passado, depois de ver o filme baseado no livro, fiquei louca querendo ler o que inspirou aquela galera a sair pedindo carona sem destino e sem dinheiro. Mas depois de ler, não sei, não curti o livro não. Tem tanta, mas tanta descrição de lugares e coisas que nada acrescentam à história que dá soninho. Fico pensando que se eu, que li a versão revisada e já achei maçante, imagina ler a versão Um Parágrafo Só?

Poderoso Chefão - Mario Puzo. Esse livro, por mais que tenha toda uma faceta super machista (só os homens participam dos negócios, tá liberado mulher apanhar do marido porque ela pertence a ele, etc), trata da importância da família num sentido mais profundo do que apenas ser pai-mãe-filho. Ser família, no caso, abrange tanto os de sangue como os que estão ligados por laços de amizade. A proteção do "godfather" só existe para aqueles que são seus amigos. Achei interessante. E em parte li porque em Eu, a Patroa e as Crianças sempre falavam nesse tal de Poderoso Chefão, haha.

Moll Flanders - Daniel Defoe. Não me lembro de ter ouvido falar desse livro antes de tê-lo comprado na Feira do Livro de Porto Alegre por apenas 10 dinheiros. E comprei porque a edição era bonita. Achei que fosse chatinho por ser um livro antigo mas olha, té que não. A história é sobre uma ~mulher da vida~ em 1600 e pouco. É engraçado porque só consigo imaginar protagonistas dos tempos que não vivi sendo puritanas (oi?), mas aí vai lá Defoe e fala da vida duma mulher bem safadinha que adora um hômi pra sustentá-la (perdi as contas, mas em todo o livro ela se casa umas dez vezes eu acho).

Ratos - Gordon Reece. Comprei esse livro junto com O Ladrão de Arte só porque eram bonitos e baratos (se eram bons não interessava muito). Mas curti. É a história de uma mãe e filha que vivem fugindo de tudo. Como elas mesmas se definem, são ratos, ou seja,  são fracas e precisam sempre se esconder dos mais fortes. A temática do livro é o bullying, na perspectiva de quem o sofre. É interessante, porque mostra que as pessoas não reagem a um ataque simplesmente porque não querem, mas porque não conseguem. Leitura válida.

Clube da Luta - Chuck Palahniuk. Acho que todo mundo já viu o filme Fight Club, né? Então, o livro é tão bom quanto. Tomo como referência do livro o filme, porque primeiro vi para só depois ler. E é incrível como ambos são tão iguaizinhos, filme tão fiel ao livro, tão fiel à linguagem. Achei mais que demais.

O Meu Pé de Laranja Lima - José Mauro de Vasconcelos. Esse livro ♥♥♥. Li quando era pequena, emprestado da minha vizinha e achei a história de um amor tão enorme, que meu amorzão (♥) no início do ano me deu de presente (obrigada, amô :3). Li abraçando o livrinho pequeno, porque não basta só ler com os olhos. A história é contada pelo Zezé, um menino de uns cinco ou seis anos, pobre que dói, que fica melhor amigo de uma árvore e vê também amizade num velho português que antes (o menino) pensava odiar. Um amor de história ♥.

E assim fico devendo a outra metade para um outro post, no final do ano.

Dose tripla de chocolate

1 de novembro de 2013
Não importa o quão velho ou novo você seja, com certeza alguma vez na vida já ouviu falar sobre A Fantástica Fábrica de Chocolate, e mais precisamente, no Willy Wonka. Pode tomar até como referência a página lá super agradável (só que não) do Facebook, mas que não me venha comparar a ironia daquele Wonka falsificado com o original, pelamor.

Bom, conhecer, saber que existe, não é a mesma coisa de ser familiarizado com a história chocolatícia, não é? Mesmo que a maioria conheça, farei um resuminho maroto, só para situar:


No mundo criado por Roald Dahl (autor dessa obra quase comestível), lá pelo ano de 1964, Willy Wonka era o mestre mor dos chocolates. Sabia fazer os doces mais estranhos e bizarros e deliciosos que qualquer um. Por isso, tinha uma concorrência digna de dar uns tapas na cara e mandar para longe, devido a grande inveja. Um dia, alguém se infiltra na fábrica e rouba uma receita. Wonka, com medo de uma possível ruína, fecha a fábrica e põe todo mundo pra rua. Depois de um certo tempo, a fumaça da chaminé volta a colorir o céu de cinza e sombras pequenas começam a se mexer lá dentro, mostrando que tudo voltou à tona. Mas ninguém nunca mais foi visto, nem empregados, nem o dono. Aí, para terminar com esse mistério todo, Willy Wonka decide premiar os cinco felizardos que encontrarem um cupom dourado numa barra de chocolate – que se encontram em qualquer lugar do mundo – como passaporte para conhecer A Fantástica Fábrica de Chocolate Wonka.

Sete anos depois, o livro de Dahl teve sua adaptação para o cinema. Talvez o número sete tenha dado um pouco de azar nesse caso, porque o filme não foi lá aquelas coisas. Na verdade, essa versão Disney de 1971 deixou muito a desejar, mesmo. Me lembro de ter visto quando era pequena, mas bem pequena mesmo, então minhas memórias sobre o filme eram boas (porque não me lembrava de muitas coisas além da cara de felicidade do menino Charlie Bucket ao descobrir o cupom dourado). Esses dias então decidi rever e notei várias coisas. 

1) No livro, Charlie Bucket (que é tão importante no livro quanto Willy Wonka *cofcof*) tem o pai e tem a mãe. No filme de 71, o pai do menino simplesmente some, nem dando explicação se morreu, se fugiu, se um dia existiu. Sabe, eu entendo que às vezes o roteiro pra cinema/televisão tenha que ser modificado por questão de entendimento do público, ou como poderia ter sido a desculpa no filme, de ser um filme mais antigo e não ter recursos na época. Mas poxa, matar o pai do menino, sem mais nem menos, não tem por que, né? E o papel do pai no filme poderia ser interpretado por qualquer um que soubesse decorar duas falas no máximo.

2) Ah, Willy Wonka. Coisa mais sem graça impossível. Se eu fosse uma daquelas crianças “sortudas” de terem achado o bilhete premiado enquanto se empanturravam de chocolate, ao descobrir como seria o Wonka que me acompanharia pela fábrica eu daria um passo para trás e me recusaria de atravessar o portão. Sério mesmo.  Cabelo desarrumado, olhar longe, cara de psicopata. Assim era o dono da fábrica mais awesome do mundo. Como podem ter feito isso com Wonka? Tá certo que também no livro é notável que o personagem seja excêntrico, mas nada se refere a parecer idiota e dar medo nas criancinhas.


Também posso citar o fato de não aparecer a origem dos Oompa loompas ou então o palácio de chocolate que não foi mencionado. Mas chega de esculachar. São coisas que não tem muita relevância se não leu o livro, ou para história em geral mesmo. Segundo boatos (li na Wikipedia, rs), o autor do livro, Roald Dahl, odiou tanto essa versão do cinema que não liberou os direitos autorais da continuação da história, que seria “Charlie and the Great Glass Elevator”, nem que fizessem mais adaptações de suas obras. O segundo filme só foi possível ser feito porque a então viúva do escritor permitiu.

E ainda bem que permitiu né? Em 2005 Tim Burton junto com seu fiel ator Johnny Depp fizeram uma ótima adaptação, a meu ver. Não sou especialista de cinema nem nada, na verdade bem longe disso, mas posso dizer de peito estufado que o segundo filme é terrivelmente melhor. Posso até arriscar que Burton soube dar uma vida ao livro que talvez nunca fosse ser notada. O Willy Wonka de agora ainda é excêntrico, com suas esquisitices e jeitos estranhos. Porém, de uma forma genial. Wonka não é mais um tiozão de meia-idade dentro de uma fábrica. Agora ele tem personalidade, tem cor e não põe medo nas criancinhas – talvez um pouco – mas, desperta a curiosidade. Sabe o que é poder acompanhar um filme com o livro aberto na frente? A fidelidade à história original foi incrível, sendo só o diferencial o acréscimo sobre a origem do Willy Wonka, que também achei genial (deu mais sentido à loucura do candymaker de plantão).


É válido ver o filme de 71 mais por cultura, para saber como eram feitas as coisas e também poder ver a inscrição “Technicolor, Inc.”, de quando ainda era novidade a tecnologia de cores nos filmes, rs. Recomendo que leia também o livro, que deve se encontrar em qualquer biblioteca por aí (revire a biblioteca da sua escola, deve ter). E não deixe de ver a belezura do Depp na pele do Wonka, se é que já não viu. É uma pena a primeira versão não ter dado muito certo, mas temos a segunda para recompensar e nos deixar com água na boca babando por um rio de chocolate.

Publicado originalmente em 21/07/12, no blog Chocolate Literário
 

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