(Quase) 50 livros em um ano - parte 1

5 de novembro de 2013

No início desse ano fiz, para mim mesma e disse aqui no blog, a proposta de ler 50 livros. Não nomeei nenhum título de antemão, porque 1) não tenho uma lista de livros desejados para ler tão extensa assim e 2) não queria que a lista se tornasse obrigação. Tudo o que eu desejava era chegar ao número cinquentinha de leituras espontâneas. Comecei empolgada lendo os que eu tinha aqui em casa e depois, quando começaram as aulas, parti para a biblioteca da faculdade. Mas toda essa empolgação foi diminuindo aos poucos: talvez não por desinteresse completo na leitura, mas por não aparecer títulos na minha frente que me chamassem a atenção. Dão a isso o nome de ressaca literária e acho que a minha durou um bom tempo. Só recentemente é que retornei aos livrinhos e deixei a minha lista aumentar mais um pouco.

Estamos em novembro e na minha contagem constam 26 livros lidos. É certo que não conseguirei ler mais 24 em menos de dois meses e assim completar os cinquentinha, mas de qualquer forma me sinto ~uhull \o/~ vitoriosa por ter tido o ânimo de ler tantos. Listei aqui parte das leituras, junto com meus comentários. Não coloquei tudo senão ficaria um post gigante demais e acho que ninguém se daria o trabalho de ler tudo (né).

Livros lidos

Pra ser Sincero - Humberto Gessinger. Comecei a leitura não esperando grandes coisas. Não estou acostumada a biografias e achei que fosse ser chato nesse sentido. Mas olha, me enganei. O vocalista do Engenheiros do Hawaii adora brincar com as palavras e de ser metido a filósofo da vida. É legal ver alguém contar suas experiências de vida já tendo uma baita bagagem. Ao contrário de quando peguei o livro pra ler, achei que valeu a pena a leitura.

O grande Gatsby - F. Scott Fitzgerald. Peguei esse livro na biblioteca só porque em todo canto da internet pipocava esse nome (o filme com o Di Caprio recém havia saído nos cinemas). Demorei mais do que seria necessário para ler, e no final achei curto demais o livro. As ações aconteceram tão rápido e tão logo veio o final que me deu uma sensação estranha de "já acabou?". Na verdade não sei se gostei ou não do livro.

A culpa é das estrelas - John Green. Ai. Chorei com esse livro. Li porque em todos os cantos via gente aos prantos gritando o quão bom era esse livro, então baixei e li em PDF mesmo. Sabia que tinha como tema o câncer, mas não tinha ideia do que podia esperar. Me surpreendi como podia ser engraçado um livro com uma temática que de costume é tão dramática.

A ascensão do Governador - Robert Kirkman. Li esse em modo automático, haha. Minha irmã apareceu aqui em casa com ele, aí comecei a leitura porque se não me engano tinha nada mais pra ler. E, céus, que coisa bem... nhé. O livro todo é "só" feito com verbos de ação (por isso pra ler só li os verbos, os diálogos eu pulava todos OPS!!!), mas não ação de um jeito legal, que te empolga, sabe? A melhor parte do livro foi  o alívio de ter terminado a leitura. Deixei até de gostar de TWD.

O amor esquece de começar - Fabrício Carpinejar. Eu costumo ficar com um pé atrás quando se trata de coletânea de contos/crônicas, porque geralmente gosto de um só ou dois e o resto me dá desânimo de ler. Sou mais das narrativas longas, que prendem, que têm começo, meio e fim o suficiente pra não te deixar órfão tão rápido daquela leitura (quê?). Mas as crônicas do Carpinejar abraçaram meu coraçãozinho e me cativaram do início ao fim. Talvez em parte porque recém havia começado a namorar meu menino, mas também porque o escritor brinca com as palavras de um jeito ora gracioso, ora cru. Curti bastante.

As vantagens de ser invisível - Stephen Chbosky. Eu gostei do formato do livro. Tudo é contado através das cartas do Charlie para um desconhecido e é dessa forma que a gente descobre a vida dele e seus problemas. Se passa no início dos anos 90, mas por mais que tentem mostrar que "nossa, essa década é a que era legal" não consigo achar graça nenhuma nisso. Sei lá. Achei legal, mas também não é essa Coca Cola toda. O filme do livro ficou melhor que o próprio livro, hehe.

O doce veneno do escorpião - Bruna Surfistinha. SIM, eu li Bruna Surfistinha, e fui lendo no trem, para espanto das velhinhas ao meu lado. Como escritora, Bruna Surfistinha é uma ótima garota de programa. Todo o livro é recheado de descrições das relações dela com os clientes, mas depois da primeira ou segunda fica tudo um ctrl+c ~ ctrl+v que chega a ficar engraçado (tomara que tenha sido essa a intenção dela). Não é um livro que se leva pra vida, mas meus olhos não caíram depois que terminei de ler, então tá ok.

On The Road - Jack Kerouac. Ano passado, depois de ver o filme baseado no livro, fiquei louca querendo ler o que inspirou aquela galera a sair pedindo carona sem destino e sem dinheiro. Mas depois de ler, não sei, não curti o livro não. Tem tanta, mas tanta descrição de lugares e coisas que nada acrescentam à história que dá soninho. Fico pensando que se eu, que li a versão revisada e já achei maçante, imagina ler a versão Um Parágrafo Só?

Poderoso Chefão - Mario Puzo. Esse livro, por mais que tenha toda uma faceta super machista (só os homens participam dos negócios, tá liberado mulher apanhar do marido porque ela pertence a ele, etc), trata da importância da família num sentido mais profundo do que apenas ser pai-mãe-filho. Ser família, no caso, abrange tanto os de sangue como os que estão ligados por laços de amizade. A proteção do "godfather" só existe para aqueles que são seus amigos. Achei interessante. E em parte li porque em Eu, a Patroa e as Crianças sempre falavam nesse tal de Poderoso Chefão, haha.

Moll Flanders - Daniel Defoe. Não me lembro de ter ouvido falar desse livro antes de tê-lo comprado na Feira do Livro de Porto Alegre por apenas 10 dinheiros. E comprei porque a edição era bonita. Achei que fosse chatinho por ser um livro antigo mas olha, té que não. A história é sobre uma ~mulher da vida~ em 1600 e pouco. É engraçado porque só consigo imaginar protagonistas dos tempos que não vivi sendo puritanas (oi?), mas aí vai lá Defoe e fala da vida duma mulher bem safadinha que adora um hômi pra sustentá-la (perdi as contas, mas em todo o livro ela se casa umas dez vezes eu acho).

Ratos - Gordon Reece. Comprei esse livro junto com O Ladrão de Arte só porque eram bonitos e baratos (se eram bons não interessava muito). Mas curti. É a história de uma mãe e filha que vivem fugindo de tudo. Como elas mesmas se definem, são ratos, ou seja,  são fracas e precisam sempre se esconder dos mais fortes. A temática do livro é o bullying, na perspectiva de quem o sofre. É interessante, porque mostra que as pessoas não reagem a um ataque simplesmente porque não querem, mas porque não conseguem. Leitura válida.

Clube da Luta - Chuck Palahniuk. Acho que todo mundo já viu o filme Fight Club, né? Então, o livro é tão bom quanto. Tomo como referência do livro o filme, porque primeiro vi para só depois ler. E é incrível como ambos são tão iguaizinhos, filme tão fiel ao livro, tão fiel à linguagem. Achei mais que demais.

O Meu Pé de Laranja Lima - José Mauro de Vasconcelos. Esse livro ♥♥♥. Li quando era pequena, emprestado da minha vizinha e achei a história de um amor tão enorme, que meu amorzão (♥) no início do ano me deu de presente (obrigada, amô :3). Li abraçando o livrinho pequeno, porque não basta só ler com os olhos. A história é contada pelo Zezé, um menino de uns cinco ou seis anos, pobre que dói, que fica melhor amigo de uma árvore e vê também amizade num velho português que antes (o menino) pensava odiar. Um amor de história ♥.

E assim fico devendo a outra metade para um outro post, no final do ano.

Dose tripla de chocolate

1 de novembro de 2013
Não importa o quão velho ou novo você seja, com certeza alguma vez na vida já ouviu falar sobre A Fantástica Fábrica de Chocolate, e mais precisamente, no Willy Wonka. Pode tomar até como referência a página lá super agradável (só que não) do Facebook, mas que não me venha comparar a ironia daquele Wonka falsificado com o original, pelamor.

Bom, conhecer, saber que existe, não é a mesma coisa de ser familiarizado com a história chocolatícia, não é? Mesmo que a maioria conheça, farei um resuminho maroto, só para situar:


No mundo criado por Roald Dahl (autor dessa obra quase comestível), lá pelo ano de 1964, Willy Wonka era o mestre mor dos chocolates. Sabia fazer os doces mais estranhos e bizarros e deliciosos que qualquer um. Por isso, tinha uma concorrência digna de dar uns tapas na cara e mandar para longe, devido a grande inveja. Um dia, alguém se infiltra na fábrica e rouba uma receita. Wonka, com medo de uma possível ruína, fecha a fábrica e põe todo mundo pra rua. Depois de um certo tempo, a fumaça da chaminé volta a colorir o céu de cinza e sombras pequenas começam a se mexer lá dentro, mostrando que tudo voltou à tona. Mas ninguém nunca mais foi visto, nem empregados, nem o dono. Aí, para terminar com esse mistério todo, Willy Wonka decide premiar os cinco felizardos que encontrarem um cupom dourado numa barra de chocolate – que se encontram em qualquer lugar do mundo – como passaporte para conhecer A Fantástica Fábrica de Chocolate Wonka.

Sete anos depois, o livro de Dahl teve sua adaptação para o cinema. Talvez o número sete tenha dado um pouco de azar nesse caso, porque o filme não foi lá aquelas coisas. Na verdade, essa versão Disney de 1971 deixou muito a desejar, mesmo. Me lembro de ter visto quando era pequena, mas bem pequena mesmo, então minhas memórias sobre o filme eram boas (porque não me lembrava de muitas coisas além da cara de felicidade do menino Charlie Bucket ao descobrir o cupom dourado). Esses dias então decidi rever e notei várias coisas. 

1) No livro, Charlie Bucket (que é tão importante no livro quanto Willy Wonka *cofcof*) tem o pai e tem a mãe. No filme de 71, o pai do menino simplesmente some, nem dando explicação se morreu, se fugiu, se um dia existiu. Sabe, eu entendo que às vezes o roteiro pra cinema/televisão tenha que ser modificado por questão de entendimento do público, ou como poderia ter sido a desculpa no filme, de ser um filme mais antigo e não ter recursos na época. Mas poxa, matar o pai do menino, sem mais nem menos, não tem por que, né? E o papel do pai no filme poderia ser interpretado por qualquer um que soubesse decorar duas falas no máximo.

2) Ah, Willy Wonka. Coisa mais sem graça impossível. Se eu fosse uma daquelas crianças “sortudas” de terem achado o bilhete premiado enquanto se empanturravam de chocolate, ao descobrir como seria o Wonka que me acompanharia pela fábrica eu daria um passo para trás e me recusaria de atravessar o portão. Sério mesmo.  Cabelo desarrumado, olhar longe, cara de psicopata. Assim era o dono da fábrica mais awesome do mundo. Como podem ter feito isso com Wonka? Tá certo que também no livro é notável que o personagem seja excêntrico, mas nada se refere a parecer idiota e dar medo nas criancinhas.


Também posso citar o fato de não aparecer a origem dos Oompa loompas ou então o palácio de chocolate que não foi mencionado. Mas chega de esculachar. São coisas que não tem muita relevância se não leu o livro, ou para história em geral mesmo. Segundo boatos (li na Wikipedia, rs), o autor do livro, Roald Dahl, odiou tanto essa versão do cinema que não liberou os direitos autorais da continuação da história, que seria “Charlie and the Great Glass Elevator”, nem que fizessem mais adaptações de suas obras. O segundo filme só foi possível ser feito porque a então viúva do escritor permitiu.

E ainda bem que permitiu né? Em 2005 Tim Burton junto com seu fiel ator Johnny Depp fizeram uma ótima adaptação, a meu ver. Não sou especialista de cinema nem nada, na verdade bem longe disso, mas posso dizer de peito estufado que o segundo filme é terrivelmente melhor. Posso até arriscar que Burton soube dar uma vida ao livro que talvez nunca fosse ser notada. O Willy Wonka de agora ainda é excêntrico, com suas esquisitices e jeitos estranhos. Porém, de uma forma genial. Wonka não é mais um tiozão de meia-idade dentro de uma fábrica. Agora ele tem personalidade, tem cor e não põe medo nas criancinhas – talvez um pouco – mas, desperta a curiosidade. Sabe o que é poder acompanhar um filme com o livro aberto na frente? A fidelidade à história original foi incrível, sendo só o diferencial o acréscimo sobre a origem do Willy Wonka, que também achei genial (deu mais sentido à loucura do candymaker de plantão).


É válido ver o filme de 71 mais por cultura, para saber como eram feitas as coisas e também poder ver a inscrição “Technicolor, Inc.”, de quando ainda era novidade a tecnologia de cores nos filmes, rs. Recomendo que leia também o livro, que deve se encontrar em qualquer biblioteca por aí (revire a biblioteca da sua escola, deve ter). E não deixe de ver a belezura do Depp na pele do Wonka, se é que já não viu. É uma pena a primeira versão não ter dado muito certo, mas temos a segunda para recompensar e nos deixar com água na boca babando por um rio de chocolate.

Publicado originalmente em 21/07/12, no blog Chocolate Literário

Longe demais

29 de outubro de 2013

Aí que eu tô nesse estado chorandinho precisando de abraço e - AI MEU DEUS - meu namorado tá tão longe, e todo mundo em casa já tá dormindo, então não rola nem ligar a tv pra deixar um som ambiente e fingir ter companhia (faço isso quando tô lavando louça e não tem ninguém em casa ou do meu lado). O que me resta é abraçar o travesseiro e fingir que ele tá curtindo ser meu amigo (se ligou que a questão toda é fazer de conta que tem alguém do meu ladinho né?).

Enquanto a solução dos meus problemas (vulgo amorzão) ainda se encontra longe tão longe daqui, vou levando como dá. Como não tem leite condensado em casa (fim de mês sempre uma maravilha) pra fazer brigadeiro de panela pra acabar de com toda a chorumela, o jeito mesmo é ficar deitadinha debaixo das cobertas e esquentar a barriga com o notebook.

Aqui em casa a internet teu seu próprio toque-de-recolher que é monitorado pelo patriarca, aí de noitinha se eu quero ver filme ou baixar alguma coisa ou, sei lá, stalkear meu namorado, não posso porque internet não há. Lamentações à parte, o que me resta é ver sempre os filmes-de-sempre, os vip, os top confirmado (eu tenho uma eterna preguiça de baixar mais).

Como eu já disse, estou nesse estado conhecido como Abraça O Travesseiro E Chora, o que, não sei por que exatamente, sempre me faz querer ver Closer. Assim, pintou lagriminha no olho, bora abrir a pasta vídeos > filmes > Closer. Fazendo um belíssimo comparativo, seria como abrir a tampa da panela de brigadeiro.

Não sei, fico melhorzinha só de ver o título C L O S E R bem grudadinho nos meus zóio. Vem aquela sensação de que daqui a pouco eu vou chorar (mais um pouco), porque eu sempre choro. Sensação de que eu já sei todas as falas e mesmo assim fico toda boboca pensando "meldels que diálogo demais!!!". Sensação de inveja porque queria ser gata como a Natalie Portman. Hehe. ):

O filme é tão bom que nesse ponto já nem to mais nadando em lágrimas e nem vendo o próprio filme, porque pausei só pra poder abrir o Word e falar bem dele. To bem, já posso nanar.

Escrito de madrugada, mas por motivos técnicos - internet, hehe - só tô postando agora.

Para a vida ficar mais feliz

15 de outubro de 2013

Uma coisa que eu sempre pensei e acho que tem algum fundamento é que o amor não morre, mas as relações podem sim ter seu término. Na verdade, isso é o que mais se vê por aí. Só amor não sustenta, por mais que o tenha em exagero. E acredito que isso se aplique em qualquer relação. É algo quase óbvio o amor que um pai ou mãe sentem pelos filhos, mas como cada família leva isso adiante não o é. Cada um tem seu jeito de amar, cada um se expressa de seu modo. Mas que tal transformar esse ar abstrato que os sentimentos têm em algo um pouquinho mais concreto?

Não é necessário contratar um helicóptero para jogar flores em cima da casa da mãe, com uma faixa gigante “mãe eu te amo”. Não é necessário pagar um daqueles carros para fazer uma declaração de amor pública. Não precisa. Se você estender o pote de margarina no café da manhã para quem você gosta só porque sabe que isso é o que a pessoa passaria no pão, já é um gesto, já é alguma coisa. Se você souber ou supuser que a mãe, namorada ou irmã está de tpm e por isso duplicar a paciência durante aquele período, também é uma forma de mostrar que se importa.

É isso, na verdade, o que conta mais numa relação. É um entender o outro, ajudar o outro, ser companheiro, amigo, cúmplice. É isso que mantém as pessoas juntinhas, de coração quentinho, de bem com a vida. E, de quebra, faz com que tudo ao redor da gente se torne mais feliz, mesmo quando não se tem tanto motivo para estar.

Pra Ser Sincero - Humberto Gessinger

29 de agosto de 2013
Nunca fui de me importar tanto com as pessoas que estão por trás do que gosto. Não sei nomes de atores, não ligo tanto pra quem é o diretor, faço a menor ideia dos nomes dos integrantes da banda. Se eu curti o produto final isso é tudo que me interessa e pronto. Justamente por isso nunca consegui responder ao "quem é seu artista favorito?" dos questionários ou qualquer coisa assim, específica demais. Não me apego a detalhes.

Mas, mesmo não tendo nenhuma estrela favoritada no meu coraçãozinho, sempre rola uma afeição à distância com aqueles que fazem as músicas que ouço. Sabe aquele querer abraçar uma pessoa que nem se conhece só porque se supõe que seja legal? É mais ou menos por aí.


Há alguns anos ouço Engenheiros do Hawaii. Assim, quando dá na telha, nada de fangirlie ou coisa parecida. Não tenhos CD's nem DVD's. Camiseta jamais foi algo cogitado. Em shows não passei nem perto. Nunca vi a fuça do cara. Devo mencionar que não sei decorar letras de músicas? Se houvesse um ranking de fãs, eu estaria naquela faixa onde sou apedrejada pelos talifãs de verdade. É notável o meu desleixo, mas ok, tanto faz, só quero ouvir a música e não importa o resto.

Acontece que o vocalista do EngHaw tem essa aura de gente boa. Daqueles que contam história enquanto tomam chimarrão. Por isso me animei em ler o livro escrito pelo Humberto Gessinger, que conta a trajetória do Engenheiros do Hawaii.


Em Pra Ser Sincero – 123 variações sobre um mesmo tema, HG conta cada passo que a banda deu desde o seu nascimento. Banda que deveria se chamar “Frumelo & Os 7 Belos”, banda que foi feita pra durar uma noite. Sorte que o destino quis diferente e fez com que a banda formada por universitários de Porto Alegre alcançasse Brasil afora.

O livro é cheio de curiosidades sobre a banda nesses 25 anos de existência. Mas não foi isso que me chamou a atenção, já que meu lado fã é lamentável. O melhor da história contada nas linhas são as entrelinhas. Porque essa publicação nada mais é que o olhar do Humberto Gessinger sobre a trajetória de vida dele, e não somente uma descrição de vocalista de uma banda que deu certo. É olhar pra trás e ter muito mais história pra contar. 

Outra coisa legal é que da metade em diante do livro há 123 letras de músicas da banda. A edição também é uma belezura: todo feito com folha de revista ou algo que o valha. O ruim é que é pesado pra caramba, o que torna um pouco dificultoso levar na bolsa. De qualquer forma, é livro pra se ler numa tarde, tomando um chimarrão.

On the Road e o manifesto à favor do banho explícito

17 de junho de 2013
Se há uma coisa que me dá agonia é não saber se o personagem (geralmente em livro) toma banho ou não. Às vezes a cena passa tão corrida, às vezes há tanta ação, tanta coisa acontecendo ao mesmo tempo e não notamos — e talvez nisso o autor também seja falho e não perceba — que as pessoas precisam tomar banho. Não que eu seja uma agente da Vigilância Sanitária que vá interditar quem escreveu por não dar condições mínimas de higienização aos seus personagens, mas preciso levantar esse tão sério questionamento. Será que a cena acontece e só depois disso tomam banho? Será que tomam o banho enquanto atuam, porém nada falam por uma questão de educação, decoro, privacidade? Ou será que gostam mesmo de ser sujinhos?

O que me fez começar a pensar nisso tudo foi a leitura de On the Road. Estou sofridamente quase na metade da história, mas posso dizer aqui, com uma maior propriedade já que vi o filme baseado no livro, que Sal, Dean e Marylou passam a maior parte do tempo — preparem-se para a obviedade — na estrada, pedindo carona, sendo essa uma característica da geração beat, como assim batizou o próprio Kerouac.

A história, uma espécie de diário, é contada a partir do ponto de vista de Sal Paradise, personagem que seria o alter-ego do próprio escritor. Assim sendo, é nos passado em detalhes toda a viagem que não parece ter fim nem rumo certo. Com apenas 50 dólares quando sai da casa confortável de sua tia, hotéis baratos e principalmente caminhões e carros desconhecidos são a via e o jeito que o personagem encontra para chegar até o seu destino, que é encontrar Dean à Oeste dos Estados Unidos.

Mesmo que 50 dólares façam milagres e sejam suficientes para o uso de muitos hotéis e vinhos baratos (segundo as descrições do livro), uma hora acabam. E o garoto da estrada acaba também por só andar em cima de caminhões por dias e às vezes à pé, perambulando à espera de uma próxima carona. Ou então em barraco de um amigo antigo. Ou então numa barraca duma mulher que conheceu ali mesmo. Ou então deitado na relva verde da manhã, por não haver lugar para ficar, muito menos dinheiro algum. Por essas e outras eu me pergunto: tá, mas e o banho? Todos esses dias que passou assim, à mercê da sorte e do lugar, ficou sem tomar banho? Cadê a higiene, rapaz, que não percebo.

Esquecem dos banhos em livros tal qual esquecem da camisinha nas novelas e filmes da vida. Ou necessidades básicas, por que não. Por isso penso que livro perfeito nesse quesito — e em muitos outros — é Ensaio Sobre a Cegueira. Saramago nos deixou bem claro que nah, banho não havia, que todo mundo tava bem sujinho e cagado (senti a necessidade de pedir desculpa pelo termo: desculpa). E isso eu apoio, personagem de livro é gente como a gente, mesmo quando a criatura é a mais irreal possível. Autores, deixem-nos claro se o personagem tá limpinho ou não, faz bem à nossa imaginação e nos livra da agonia de não saber se, ao nos colocarmos como sendo alguém da história, devemos nos sentir cheirosinhos ou com banho vencido. Obrigada.

"Cara, será que a gente toma banho ou não?"

Só queria 5 centavos

14 de junho de 2013
Saí mais cedo da aula de libras. A atividade era elaborar um teatro em grupo para apresentação daqui duas aulas. Nosso grupo, lindo que é, decidiu que o bom mesmo seria sair de fininho e definir seja lá o que fosse durante a próxima semana. "Au revoir, professor", é o que diríamos, caso ele pudesse nos ouvir (alguém surdo dando aula de libras, faz sentido).

Como não tenho carona alguma, e como não tenho um ônibus que pare em frente ao prédio exato em que estudo e que aparece também no exato momento em que saio, minha única alternativa sempre é esperar. Seja no restaurante, seja na biblioteca, seja no chão junto aos cachorrinhos que por lá estão espalhados, ou seja no paradão interno da faculdade, o lugar mais óbvio, eu tenho que esperar o bendito ônibus.

E lá fui eu, para o lugar mais óbvio, esperar a maravilha de ônibus que nunca chega. Sorte que tinha meu livrinho pra ler, sorte que eu tinha umas moedas no bolso para comprar alguma coisa para comer enquanto lia, enquanto esperava, e sorte queOPA!, deixa eu contar essas moedas aqui.

Me desfiz da leitura - calma, Sal, já presto atenção em ti -, me livrei da bolsa, que estava em meu colo, e assim ocupei todo o banco. Sim, uma magrela como eu ocupando todo o banco. Tirei o montinho de moedas que todo mendigo ou mendiga carregam em seus bolsos e fui contando moeda por moeda. Notei minha miséria ao constatar que não havia uma derradeira moeda grandona, brilhosa, amarelinha de 1 real. Comecei e já contava com uma - e única - de 50 centavos. Tudo bem, ainda há muitas aí nesse montinho, é o que eu falava para mim mesma, enquanto passava os olhos nos metaizinhos numerados. Fui contando as outras: 25, 25, 25... sete moedas de 25 centavos. Então contei mais uma de 10 centavos e mais duas de 5. E. A. Ca. Bou.

ACABOU.

Essa era toda a minha riqueza em moedas, pelo menos as que havia contado. Dois reais e quarenta e cinco centavos contadinhos em moedas. O que se pode comprar de comida numa faculdade com R$ 2,45? Eu respondo, dá licença: NADA, caro amigo, apenas nada. Eu tinha nos meus planos comprar algum salgado ou um Fandangos (eu gosto de Fandangos, vamos respeitar as diferenças, por favor) para comer despreocupadamente enquanto lia e cambaleava no ônibus, mas nada assim daria certo.

"Mas hey, Marina, seja esperta!", disse-me assim uma vozinha na cabeça. E percebi o que a voz queria me dizer. "Sim, é claro, como não pensei nisso antes!", foi o que pensei em resposta à voz na cabeça. Eu poderia revirar toda a bolsa, toda a carteira, os bolsos da calça, o chão, o vão do banco, é claro, é claro!

E assim fiz. Revirei meus bolsos, além daquele em que já se encontravam as moedas no início, mas neles nada encontrei, revirei a carteira, e também nada havia lá, tirei todas as coisas da bolsa, revistei o fundo, cada compartimento, mas só catei o vazio.

O vazio em meus dedos, o vazio em minha barriga, o frio em meus pés, o vento no meu ouvido, que eu com custo tapava com os cabelos. Eu só queria 5 centavos, poxa.

Os 5 centavos que não achei

(Um Fandangos custa R$ 2,50, qualquer salgado no mínimo R$ 3,00. E pensar que eu olhei pr'aquelas moedas em cima da estante antes de ir pra aula... Tsc.)

Sobre as velhas que puxam assunto

17 de abril de 2013
Velhinha não é velhinha se não puxar assunto na parada de ônibus. Se uma chegar do teu lado e não comentar algo totalmente necessário pra tua vida como "mas esse ônibus não chega nunca!", ou então soltar um "esse tempo tá com cara de chuva, já to vendo", devo dizer que se deve desconfiar desse ser ao teu lado. Se a criaturinha aparentemente frágil não abrir a boca, já pode-se permitir ter um treco e começar a achar que aquilo na verdade é um espião, um ladrão, um agente secreto, sim, um agente escrito tudo junto, a própria Vovó Zona (beijos pra ti, Sessão da Tarde).

Volta e meia me aparece algumas dessas. Estou lá feliz lendo algum livro que tenho preguiça de devorar em casa e já me vem alguma senhorinha reclamar do ônibus. Ou  do tempo. Ou da empresa de ônibus. Ou que se esqueceu do guarda chuva. Ou da cor dos meus olhos. Ou porque eu poderia sair na Playboy.

Certa vez uma dessas adoráveis criaturas cismou com meu cabelo e meus olhos.  Eu, sabendo da grande importância desse acontecimento (a cisma da velha), corri quando cheguei em casa para escrever o diálogo no Tumblr, porque ainda achava que Tumblr poderia ser algo legal como blog e as pessoas lerem e tal. Ninguém leu, mas valeu só por eu ter um registro a mais da minha vida sem graça e ter com o que encher linguiça nesse post também talvez sem graça e assim postar um diálogo. E lá vai o diálogo.

Pessoa: Tu faz baby liss?
Eu: Não, meu cabelo é cacheado assim mesmo.
Pessoa: Mas tu pintou o cabelo né? Essas 'luzes' não podem ser naturais.
Eu: Não, nunca pintei o cabelo.
Pessoa: Ah...
(silêncio, e o ônibus tá incrivelmente atrasado)
Pessoa: Que cor são teus olhos?
Eu: Verdes.
Pessoa: (quase arrancando meus olhos) Eu acho que não são verdes.
Eu: São sim, isso eu sei muito bem.
Pessoa: Não são, querida. Tá mais pra cor-mel.
Eu: ¬¬

Um diálogo realmente muito construtivo e que, com certeza, mudará a vida de cada um que ler. Aham.

Nessa outra ocasião foi algo mais aleatório. Duas velhinhas estavam já sentadas no banco da parada quando  eu cheguei. As duas me olharam de cima a baixo e depois continuaram a tagarelar sobre sei lá o quê. Aí uma delas puxa na conversa algo tipo "se me pagassem pra tirar a roupa, tiraria". Ri para mim mesma nesse momento. Aí a outra continua "ah!!!!!!!!!!! se eu tivesse a cinturinha de uma dessas meninas *olha pra mim* certo que tiraria sem pensar". Ok, né.

Sobretudo isso é sobre nada

20 de janeiro de 2013

Se há alguma alma viva que ainda entre de vez em quando nesse meu blog, essa deve ter percebido faz tempo que também faz tempo que não posto mais nada de verdade. Abandono? Acho que não. Desleixo? Total. Não que eu queira agora, sei lá, fazer um texto contando todos os motivos (preguiça, preguiça e mais preguiça) que me fizeram parar de escrever aqui e em qualquer outro lugar, como meu Tumblr e meu caderno, mas é que não dá para chegar chegando, assim, de repente, como se nunca houvesse tido esse pseudo-hiatus entre eu e as palavrinhas. Tem que ter algo que esclareça, mesmo que eu não fale nada com nada e ninguém me entenda.

Esse desleixo todo teve início lá em novembro ainda. Eu tinha um trabalho para a faculdade bem grandinho para entregar até o fim do mês/início do outro, então para isso precisaria me concentrar. Tentei, mas não consegui, e acabei deixando para fazer tudo o que poderia ter feito no mês todo no último dia do prazo de entrega. Mas então alguma alma perdida vagando por aqui poderia pensar: "se fez o trabalho tooodo em um dia, teve pelo menos o mês anterior à entrega para fazer o que quissesse". Mas é claro que não foi assim. Sabe quando se tem um compromisso e a gente se sente culpado por estar fazendo outra coisa qualquer aleatória? Pois bem, eu me sinto COMPLETAMENTE culpada quando sei que tenho algo pra fazer e mesmo assim eu não faço. Por exemplo, se eu tenho que fazer um texto até às 6 da tarde, para ainda dar tempo de me arrumar e ir para a aula, eu não vou conseguir ver filme, nem série, nem ler página nenhuma de livro nesse dia, mesmo que dê tempo de sobra. Eu me sinto agoniada. É como se eu precisasse tirar esse trabalho de dentro de mim porque me sufoca. Estou sendo dramática? Completamente², mas não é muito diferente de como me sinto. Agora imagine isso durante UM MÊS. Sim, um mês completamente sufocante com meu trabalho sendo procrastinado dia após dia e eu sem ideias de como fazê-lo. Eu não conseguia ler livros, ver filmes... e postar no blog. É como se tudo isso me ocupasse tempo demais, mesmo eu sabendo que naquele momento eu não fosse realmente me dedicar ao trabalho.

Aí o desleixo que diz respeito ao mês de dezembro eu não tenho muito o que explicar. Foi pura preguiça, falta de vontade, falta de ideias. Acho que eu quis recuperar um pouco daquele tempo de agonia do mês anterior e relaxar de alguma outra forma que não fosse escrever (já que assim era o meu trabalho). Então abracei os livros, beijei, dei carinho, vem cá com a mamãe. E também foi nesse mês que eu determinei que eu leria, no mínimo, até o mês de março, os três primeiros livros da série As Crônicas de Gelo e Fogo (que comprei lá na quase metade do ano passado). Isso "rendeu" ao blog um mês inteirinho sem post nenhum. Isso é feio, eu sei, mas acontece nas melhores url's, porque não poderia acontecer aqui também?

E ah! Para esse ano, determinei, como resolução de Ano Novo, que eu leria no mínimo 50 livros, o que é uma média de um livro por semana. Eu sou péssima com promessas, mas até agora está dando certo. Estamos na segunda semana de 2013 e eu já marquei na meta do Skoob 2 livros lidos, e daqui a pouco acabo o terceiro junto com essa semana. Espero sinceramente que eu consiga e possa vir aqui comemorar no fim do ano dizendo que não foi tão complicado assim.

Imagem: weheartit

Sonhos de jabuticaba

1 de janeiro de 2013
Pé de jabuticaba é uma coisa bonita de se ver. Cresce devagarzinho, não se nota de primeira os galhinhos que se esticam pouco a pouco, mas quando vemos, reparamos de verdade, notamos no lugar daquela mirradinha planta uma bela árvore que dá vontade de abraçar.

É assim pelo menos a jabuticabeira aqui de casa. Foi plantada uma no ano em que nasci, então pude acompanhar de pertinho o crescimento de nós duas. Lembro que demorou para vingar; eu conseguia olhar por cima, fazendo a pequena planta parecer menor do que já era. Acompanhei o crescimento em fotos, sempre comparando nossos tamanhos. Quando dei por mim, já duplicava a minha altura de criança.

E então eu descobri que a minha amiga secreta é uma menina com sonhos de jabuticaba. Seus grandes olhos, tais como jabuticabas bonitas e maduras, brilham; seus sonhos são altos e desejam tocar o céu, mesmo que demore um pouco (e pode chegar tão alto que daqui a pouco Deus olha lá de cima e dá uma ajudinha para também atravessar os céus e dar uma passadinha em NY ou Paris, não é? Quem disse que jabuticabas não podem sonhar e voar?). 

Kamilla, do blog Sonhos de Jabuticaba ^^ 

Então, hey! Kamilla, olá, prazer, sou a Marina. Adorei conhecer teu blog, adorei ler algumas das tuas postagens, conhecer um pouco do teu mundinho. Espero que tenha um bom ano pela frente, com muitos sonhos, muitas jabuticabas, muita coisa boa para acontecer. E que tudo que aconteça na tua vida possa te fazer crescer um pouquinho mais, te fazer alcançar teus sonhos e objetivos, e fazer as jabuticabinhas que são teus olhos brilharem mais e mais.
 

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