Nossa, que viagem legal

28 de julho de 2012
Conhecido como um dos maiores ursos da América Latina, o senhor Eternamente Chato sobreviveu três anos sem comer nas ilhas dos Andes. Ele e seus amigos ratos se alimentavam de raposas velhas e mal amadas nas suas derradeiras horas de ócio. Um dia, um bloco de neve caiu na cabeça deles e um raio caiu ao lado.

Querendo conhecer o mundo, o senhor Eternamente Chato e seus amiguinhos roubaram um fusca verde com pintinhas amarelas (muito raro, por sinal) e saíram viajando pelo mar, em cima de uma balsa. Os peixes no início ficaram assustados com tal tecnologia, mas depois se acostumaram e até imitaram, fazendo um carro flutuante semelhante para seus peixinhos-filhos. 

Quando a trupe viajante chegou em terra firme, os passarinhos gritaram “espécies diferentes à vista” e foram entrevista-los. O chato é que ninguém falava a mesma língua, nem Eternamente Chato e os ratinhos se entendiam, então a alternativa que restou para o urso Eternamente Chato foi matar seus amiguinhos ratos para poder usar como caneta (gravetos naquele continente estavam em extinção) e desenhar na terra roxo e laranja. Sim, o paisagista daquela terra desconhecida tinha um mau gosto do caramba pra cores.

Com muita fome e sem seus amiguinhos ratos para caçar, o senhor urso foi ouvir sua eletro-ópera de todo dia. E assim, numa terra distante, com passarinhos mordendo as unhas de seus pés e um céu brilhantemente horroroso à sua frente, o magnífico senhor urso Eternamente Chato terminou mais um dia. E morreu com o fio dos fones de ouvido enrolado na garganta, quando foi espirar. Mas depois ressuscitou.

Escrevi isso enquanto a internet tava muito ruim aqui em casa. Minha mãe está certa: to viciada e sofro de dependência internética crônica. E, por favor, nada desse texto deveria fazer sentido, não questione.

Acho que nasci para ser sozinha

26 de julho de 2012
AVISO: esse post pode conter alto teor de mimimi. Estão avisados.

Acho que nasci para ficar só e é disso que eu mais tenho medo. Um pouco de drama talvez esteja sendo acrescentado aqui, mas tem lá seu fundinho de verdade. Tudo isso porque minha vida amorosa, se é que posso chamar assim e se é que já tive uma de verdade, é um tanto confusa e, falando em números, é precária.

Mas falemos desde o início, de quando se é novinha demais a ponto de achar que vai encontrar o príncipe encantado na turma ao lado e que tudo vai começar com um “era uma vez...” e terminar, depois de um lindo beijo, obviamente, com um “felizes para sempre” (e o que está escrito entre aspas é narrado por algum locutor da Sessão da Tarde). Então, desde pequena nunca pensei em príncipes, em cavalos brancos, em primeiro beijo apaixonante a ponto de erguer a perninha e ficar na ponta do pé. Bem pelo contrário: tudo isso sempre passou longe da minha mente e tudo o que eu queria saber é como fazer uma casinha no meu pé de goiaba em frente de casa. Enquanto minhas colegas (e isso falo da quarta, quinta série) ficavam desperdiçando o tempo observando os meninos jogarem futebol, eu ficava lá fazendo educação física com o restinho de meninas que não estavam também preocupadas em ver meninos magrelos e todos suados sem camisa.

Logo após essa fase de menininhas verem menininhos jogando futebol e admirando o quão bonitos eles eram (só uma coisa: essas mesmas menininhas agora que cresceram tal como eu, vendo os menininhos como estão agora, certamente se arrependem de boa parte daqueles suspiros dados, só falando), veio a fase do primeiro beijo. Era ainda um tempo que nem todo mundo tinha computador e internet, e não tinha essas frescuras de Formspring ou Ask.FM, ou seja, questionários eram feitos na base do caderno e lápis mesmo.  “Você é bv?” era pergunta certa em todo e qualquer questionário que se respondesse. No início todo mundo respondia “sim”, mas aí com o tempinho as respostas foram se misturando e, quando vi, tinha mais gente que respondia “não” que “sim”. Ver essa transição das minhas colegas passando de meras crianças ranhentinhas para pré-adolescentes me fez pensar em algumas coisas: a) acho que nunca beijarei um menino b) eu sou magrela e feia c) minhas amigas todas já ficaram com alguém menos eu d) eu não me importo e) eu realmente não me importo.

E realmente não me importava. Não via necessidade alguma em adiantar as coisas. Se fosse para acontecer, que acontecesse. Eu é que não ia me dar o trabalho de ficar procurando motivos para suspirar.

Então lá pelos 14 anos eu finalmente beijei um menino. Mas foi numa festa, um beijo empurrado pelas gurias que me acompanhavam. Sem paixonite, sem grandes expectativas, sem nada que o fizesse memorável. Apenas um beijo, ou melhor, o ato de beijar, sem toda aquela aura romântica ou sedutora que o envolve. Depois disso vieram outros beijos, mas nenhum que me fizesse suspirar.

Não lembro direito a ordem das coisas, mas pelos 16 eu finalmente dei um sorriso por alguém. Me senti aliviada por isso provar que eu tinha um coração e que eu podia ser como todo mundo. O ruim é que eu sorri na frente de uma tela, e meu coraçãozinho estava batendo por um menino que estava a centenas de quilômetros daqui. No início não me importei, tava feliz só pelo fato de eu conseguir gostar de alguém, e ainda ser retribuída. Mas como nem tudo são flores e palavras digitadas bonitas, acabei ficando triste dessa vida à distância e me afastei. Tive minhas recaídas, mas acho que consegui superar isso.

Aí, na festa de despedida do meu terceiro ano, acabei ficando com um colega de aula que eu nunca tinha conversado direito. E não é que acabei gostando? Foi engraçado, porque eu queria conhecer coisas simples de uma pessoa que eu via todos os dias, mas que nunca tinha prestado atenção. O rolo durou pouco, nem virou namoro nem nada, mas gostei.

Nesse meio tempo entrei para a faculdade. Não conhecia ninguém, tudo era novo para mim, menos a eterna sensação de que eu ficaria encostada num canto alheia a tudo, só pelo fato de eu ser um pouco (muito) antissocial. Mas, para minha surpresa e sorte, acabei me enturmando super fácil. Num belo dia, alguém me adiciona no Orkut (SIM), e eu linda e bela fui verificar quem era. Não conhecia, mas aceitei porque nas fotos o menino era gatinho e porque estudava na mesma faculdade que eu. Depois, puxei um assunto nadavê com ele por scrap (!) e ele pediu msn. Trocamos msn como quem troca telefones no guardanapo de papel, e começamos a conversar. Conversa vai, conversa vem, ele me pede para que eu ligue a tevê, porque ele iria apresentar um programa, aí eu saberia quem ele era. Sim, ele trabalhava na tevê (mesmo que ruinzinha, era uma tevê), e fiquei sabendo quem era o meu futuro namorado assim.

Mais ou menos um mês depois a gente começou a namorar e tudo foi fofo. Principalmente da parte dele. Eu sou uma negação nessa coisa de ser/parecer fofa pelo fato de eu não ser nem um pouco meiga e essas coisas, mas o menino era fofo o suficiente por nós dois. O problema é que, assim como não sou meiga e não gosto de ficar grudada em cima das pessoas, também não gosto que exagerem na melosidade comigo. Gosto de abraços, mas também gosto de espaço, e aquilo tudo parecia me sufocar. Aí não aguentei e puf! Acabou.

Eu canso fácil das pessoas, e parece que elas também não me aguentam por muito tempo. Não reclamo muito disso porque de certa forma gosto de ficar sozinha, pelo menos por enquanto não me parece fazer muita falta um namorado, ou rolo, ou caso, ou seja lá que denominação seja. Acontece que eu não sei até quando vou aguentar ficar solita nessa vida, e fico pensando se realmente terei alguém para colocar minha escova de dente juntinho.

Mas chega de mimimi nessa vida e nesse post. Tenho meu gatinho que é o amor da minha vida e não me importa a opinião dele sobre isso. Ele me ama, eu sei.

Vou pra Porto Alegre, tchau (8)

20 de julho de 2012
Começo citando no título uma música do Kleiton e Kledir que nunca ouvi até o final para simplesmente dizer que fui para Porto Alegre hoje. Só sei as duas primeiras frases do refrão, mas quem se importa com essas peculiaridades, não é. Hoje fez um solzinho legal e o frio deu uma trégua (ainda continua tudo gelado, mas a situação tá menos pior, por assim dizer), então eu e minha irmã fomos bater perna na capital.

Bom, nós duas tínhamos a intenção de 

a) mandar arrumar a câmera, que já cansei de falar aqui que está quebrada; 
b) comprar uma bota para mim, porque só All Star não dá conta do recado. 

A primeira missão do dia era encontrar o endereço que papai havia desenhado num papel, e nisso obtivemos sucesso, mesmo que nossos sensos de direção sejam meio tortinhos de vez em quando. Acontece que para chegar ao lugar endereçado seria necessário subir uma escada estreita num beco. Essas coisas dão medo, sabia? Pra ser melhor ainda, a escada era circular (não sei se é assim que se chama), dava várias voltas nela mesma até chegar no bendito andar. Me lembro de já ter sonhado muitas vezes que eu descia e descia e descia uma escada dessas, mas que nunca conseguia chegar até o final. Ficava girando para baixo num looping eterno. Enfim, chegamos lá e pedimos o preço e achamos caro demais (a ressureição da falecida câmera não vale tanto assim).

O segundo desafio seria comprar ou pelo menos procurar por botas, mas tudo isso foi ofuscado quando vi “salgados R$ 1,25”. Como a garrafinha de água que eu tinha levado de casa já estava acabando (eu geralmente não tomo muita água, mas como hoje minha garganta tava meio ruim, bora tomar água para aliviar) e aquele preço parecia um tanto tentador, a gente foi lá conferir e saímos tri felizes com água e salgados.

Eu seguiria o caminho procurando por botas, mas isso foi novamente ofuscado, dessa vez por um cartaz numa papelaria onde tava escrito “LIVROS R$ 2,00”. Não me lembro se dei uma corridinha até a promoção nesse momento, mas devo ter feito, como todas as pessoas de bom senso fazem quando avistam algo escrito “PROMOÇÃO” (não adianta se fazer de fyna o dia todo, quando você avistar uma promoção imperdível, vai correr como se não houvesse amanhã. Assuma). Fiquei lá um tempão conferindo os títulos e infelizmente não tinha quase nada que me agradasse.

Acabei levando um livro de curiosidades de uma série que eu nunca tinha ouvido falar até então e outro sobre a origem da internet no Brasil. O primeiro só pela capa linda, o segundo mais por história mesmo, e porque era só dois pila né gente.

O que eu queria mesmo? Ah, sim, botas. E botas foi justamente o que eu não pensei quando vi a lojinha amada de artigos para artesanato. É o tipo de coisa que não se pensa duas vezes antes de entrar, é passagem obrigatória. E quando entrei me tornei a criança mais feliz do mundo enquanto passava os olhos (e as mãos) nas caixinhas de madeira, mas tintas que eu não sei a utilidade, nos tecidos fofos, nas pedrarias, nos recipientes de vidro que as bruxas más colocam suas poções. Sério, meus olhinhos brilham com essas coisinhas. Mas como não tinha dinheiro para gastar com essas coisas que eu não saberia qual finalidade dar, acabei dando meia volta e saindo.

Aí, quando eu já estava quase retomando o pensamento de comprar as botas, eu vi “xis salada R$ 4,00”. Tentei desviar o olhar, tentei olhar para alguma lojinha ao redor, mas foi em vão. Aquele preço, o jeito como o quatro ficava bonito junto da vírgula, me seduziu. Então eu, mesmo sem (muita) fome, me decidi a comprar aquele xis salada. Só que havia um porém nisso aí.

O preço lindão que eu tinha visto se encontrava dentro de uma praça de alimentação a céu aberto. Todas as barraquinhas eram iguais, todas as mesas, banners, tamanhos. A diferença se dava no vendedor e no nome do estabelecimento somente. Então como todo mundo era tão padronizado, o que faria a diferença seria o modo que cada um venderia seu peixe (o peixe é figurativo viu). E sabe como era o modo pra chamar a atenção do cliente? Assobiar, dizer que “aqui é melhor”, abanar, fazer “psiu, vemk!”, e qualquer coisa a mais que pudesse te deixar constrangido. Pelo menos foi assim que me senti.

Ok, sem muito drama, não me constrangi, por favor né. Me senti assediada (ui). Magina toda uma praça de alimentação chamando por você, abanando, piscando, e só não chamando pelo nome porque não sabem? É muito amor, dá até para ruborizar e ficar tímida. Mas esqueci tudo isso e fui firme e forte em direção a primeira banca que eu tinha posto os olhos. E mudei um pouco de direção quando vi que a banca do lado era R$ 3,50, mais suco. Pronto, ganhou meu coração. E saí de lá tri faceira com o xis e o suco.

E lá pelos finalmente, me lembrei que era para comprar a bota. Pra dizer a verdade até tinha entrado em algumas lojas, mas nada do que eu tinha visto me agradou. Então beleza, a gente volta pra casa e procura outro dia.

Já errou de ônibus hoje?

14 de julho de 2012
imagem daqui

Andar de ônibus às vezes pode ser uma aventura. Pego o coletivo todos os dias para ir à aula, e todos os dias volto com ele. Mas nem sempre é o mesmo ônibus, o mesmo trajeto, o mesmo motorista. E aí que mora o delicioso perigo de entrar no verdinho* errado.

Pego o ônibus todos os dias mais ou menos na mesma hora. Tem dias que eu me atraso e tem dias que eu me atraso muito, isso varia. Mas sempre atraso, é certo.  Como a maioria das vezes eu vou correndo para a parada no momento certeiro que o ônibus está passando, nem vejo a inscrição de destino que há na frente (porque não tem como) e me adentro bufando pela corrida. 

Depois da corridinha básica e da entrada escandalosa, decido o que é melhor: passar a roleta e ficar de pé, ou então ficar ainda lá atrás e do mesmo jeito de pé (não sei como é na cidade de vocês, mas aqui se entra por trás e se sai pela frente – opa!). Quando tenho a sorte de perceber que alguém está prestes a se levantar, já fico à espreita só esperando o momento exato e substituo o lugarzinho precioso. Aí então é só alegria. Como não curto ouvir música no ônibus porque não gosto de ouvir nada muito alto com os fones de ouvido, principalmente nesses pequenos (dá dor de cabeça), sigo a grande viagem – de no máximo 20 minutos – apenas lendo.

Se você já leu alguma coisa no ônibus deve saber que é muito chato tentar se concentrar em alguma coisa enquanto balança, né? Por isso eu nunca leio algo que vá mudar a minha vida durante um trajeto simples, como ir para a aula. Não dá para estudar, não dá para ler um livro grandão e com letras pequenas, não dá para ler um texto que te obrigue a pensar. É complicado e ao mesmo tempo um baita esforço. Pra isso existem livros infanto-juvenis com letras garrafais e espaçamentos que mais parecem abismos. Sem falar da escrita simples. E é exatamente esse tipo de livro que carrego na bolsa: de fácil leitura e com letras amigáveis para os olhos.

E, se a leitura é fácil e as letras ajudam, a coisa flui. Você nem percebe o trânsito, a pessoa que sentou do seu lado (e que saiu, quem veio depois...). Quando você se empolga numa leiturinha o mundo para um pouco também, mesmo que por alguns minutos. Quer dizer, você ainda sabe que está dentro de um ônibus, que há pessoas em volta, que uma hora você vai ter que descer, mas só por ter uma distração se fica meio perdido.

Quem me conhece sabe que sou muito perdida. Por isso não consigo ler tanto quando estou num ônibus – porque me perco fácil na leitura e porque tenho medo de ter pegado o ônibus errado. Nunca se sabe né. Melhor garantir dando uma olhada pela janela para saber se é o mesmo trajeto de sempre ou se estou num bairro completamente diferente, enquanto viro a página. E tem vezes que eu realmente acho que estou num bairro completamente diferente.

Tem vezes que levanto os olhos do livro, quase dormindo, olho para o lado e percebo que nunca vi tal rua. Aí olho para o lado, para trás, para as pessoas lá da frente, e não tem ninguém que eu conheço, quer dizer, as pessoas que sempre fazem o mesmo trajeto que eu. Olho para o cobrador que nunca vi, para as casinhas lá fora desconhecidas e tenho uma imensa vontade de me levantar e dizer para o motorista:

– Seu moço, o caminho tá todo errado, assim tu não vai me levar pra casa. Presta mais atenção por favor.

Mas desconheço o moço que dirige e tenho preguiça de me levantar. Aí a partir desse ponto procuro pensar que, se der sorte, chego em casa. Qualquer coisa, sempre levo dinheiro para imprevistos, como ficar perdida e ter que voltar com outro ônibus.

O engraçado de tudo é que eu nunca peguei ônibus errado, sempre só fiquei no quase, na expectativa de ter me enganado devido à distração crônica. No final sempre percebo que o trajeto estranho que foi feito é de fato estranho para mim, porque nunca parei para prestar atenção. Ou até mesmo é outro caminho de outro horário, e eu sou a tonta de não ter percebido isso antes. Mas gosto de ignorar o fato de saber que estou certa quando pego um ônibus (mesmo que totalmente distraída) só pra ter a sensação de estar em iminente território estranho e assim ter que imaginar o que fazer. Sabe, só pra fingir que estou num momento perigoso e a partir daí tudo ser uma grande aventura. Vai saber.

*O ônibus aqui da minha cidade é todo verde abacate, uma lindeza.

Tumblr 2 anos!

11 de julho de 2012
Acho que eu nunca mais vou trocar esse banner <3

Tcharam, hoje meu desconhecido tumblr Uma Perfeita Simetria faz dois aninhos de existência. Nem frequento mais aquela Rede Social Oficial de Sofredores Por Amor Perdido de Plantão (a sigla fica R.S.O.S.P.A.P.P., mas é mais conhecido Tumblr mesmo), mas ainda tenho um apreço por aquele lugar.

Eu fiz o tumblr há dois anos para escrever (na verdade verdadeira, fiz para ficar lendo o que uma certa pessoa escrevia, mas ignore essa verdade verdadeira e pense que só fiz o login para escrever). Sentia falta de ter um diário, algo para poder desabafar e essas coisas. Eu não lia blogs nas internets dessa vida nem nada, aí quando eu vi aquela rede social onde as pessoas ficavam postando textos enormes, super apaixonados, ou tristes, ou apenas cotidianos mesmo, meus olhinhos brilharam e fiquei encantada. Quase ninguém no meu pequeno círculo social tinha (ou nem sabia o que era) Tumblr, então melhor ainda.

E comecei a escrever. Coisas bestas, do tipo que só eu consigo entender de verdade. Aí eu vi naquilo um blog/diário em potencial, então comecei a postar o que acontecia durante as aulas do terceiro ano (saudades <3), as frases idiotas que a turma falava e tal. E que bom que eu tive essa ideia, pelo menos tenho algo registrado. (Quem não tiver o que fazer da vida pode ler minhas idiotices pessoais de lá pra cá nesse link, rs.)

Aí eu pensei: "poxa, isso pode se parecer com um blog de verdade, né?". Até que tentei, e fazia uns textos parecidos com os que eu faço agora aqui nesse blog (link pra ler essa seção diário aqui, hoho). Mas sabe como é Tumblr né. Ninguém liga para comentários (até mesmo porque não tem essa função, e mesmo que coloque com o Disqus, ninguém vai continuar ligando  do mesmo jeito), também a edição de texto e imagem é horrível. Mas né, tentei. Quando cansei do Tumblr, comecei a usar o Blogger, e aqui estou eu.

Uso agora mais para imagens mesmo, e a maioria dos tumblr's que sigo são de desenho/arte/design. Não desperdiço mais meu tempo lá, mas guardo tudinho com muito carinho (own <3). 

Nota: isso não é um post divulgação do meu tumblr, ok? u.u Mas se quiser seguir, fico muito feliz (e me avisa na ask que retribuo, seus lindos).
Agradecimento: outro dia a Débora Morais para minha surpresa divulgou meu blogzinho no dela e um monte de gente mesmo veio parar aqui. Só tenho que agradecer <3

Entrevista com o vampiro - Anne Rice

7 de julho de 2012
Anne Rice faz parte daqueles clássicos que eu nunca tinha parado para ler. Entrevista com o vampiro é o segundo livro que leio da escritora. O primeiro foi Violino, que demorei um super tempo para devolver para a biblioteca, mas esse último superou meu tempo recorde. Fiquei mais de um mês enrolando entre ler e finalmente entregar. Mas todo esse lenga lenga para a leitura e devolução não interferem no que eu achei do livro. Então primeiro eu resumo, depois eu falo.

Louis resolve contar toda a sua vida para um jornalista. Num quarto, sentados numa mesa, apenas com um gravador separando os dois, Louis revela cada detalhe de sua história, sem medo, sem nada ocultar. E resolve fazê-lo de forma cronológica, tudo na exata ordem que fora acontecendo. Mas deve-se deixar claro uma coisa: Louis é o vampiro. A pessoa que entrevista, bom, apenas mais um humano. E isso fica evidente. A presença do vampiro não é assustadora por somente o medo eminente da morte estar à frente. A figura do vampiro do livro de Anne Rice parece transcender qualquer coisa humana. Um vampiro não é somente mais um monstro. Sua visão, seu andar, o jeito de sentir as coisas, tudo é muito aguçado. Humanos são meros nadas perto das capacidades que eles possuem. Velhas crenças também são abandonadas no livro: cruzes, alhos, estacas. No livro mostra o mundo através de um vampiro, tal como ele é.

A história é contada em primeira pessoa por Louis, mas são três os personagens principais: Louis, Lestat e Claudia. 

Louis era um jovem rico, que vivia numa grande casa com muitos empregados e escravos. Depois da morte do irmão, fica muito abalado, sentindo-se culpado. Nesse ponto aparece Lestat, o vampiro que o transforma e o ensina a viver como tal. Louis fica encantado com o novo mundo que ganha, com as capacidades que um vampiro tem, como sente o cheiro da pele, do sangue,  como seus olhos ficam mais perceptivos e sua velocidade admirável, mas não aceita a realidade que agora tem. Mesmo entendendo que precisa de sangue para continuar vivo, se sente estranho e perturbado ao tirar uma vida humana. Para contornar a situação, começa a se alimentar de ratos, e faz deles sua "dieta" dos anos iniciais como vampiro. E, para ele, ser vampiro deve ser muito mais do que apenas matar para sobreviver. Na verdade, ele mal sabe o que é ser um vampiro. Não sabe sua origem, nem se é um demônio, alguém vindo do Diabo. E não tem ninguém para explicar essas coisas, nem outros de sua espécie além de Lestat.

"Quem saberia aquilo melhor do que eu, que tinha presidido a morte de meu próprio corpo, vendo tudo que considerava humano se desvanecer e morrer para formar simplesmente uma cadeia inquebrável prendendo-me a este mundo apesar de me manter exilado, um espectro com um coração palpitante?" (pág. 158/159)

Lestat faz graça com a morte. Brinca com os corpos e bebe seu sangue como vinho. Sorri enquanto o faz, e acha que isso seja uma arte. Gosta de ver o sofrimento humano. Vampiro que transformou Louis, Lestat é belo, sedutor. Mas apesar de toda sua força e desenvoltura que atrai, não soube dar as respostas para as perguntas de Louis.

"(...) No momento em que o vi, percebi sua extraordinária aura e compreendi que se tratava de uma criatura como eu jamais vira, e que eu estava reduzido a nada. Aquele ego que não pode aceitar a presença de um humano extraordinário a seu lado estava esmagado. Todas as minhas concepções, até mesmo minha culpa e minha vontade de morrer pareciam subitamente não ter nenhuma importância. Esqueci completamente de mim mesmo!" (pág. 21)  - quando Louis percebe Lestat em seu quarto, para transformá-lo.

Claudia é a criança transformada em vampiro condenada a permanecer para sempre em seu corpinho minúsculo. É tratada como uma boneca, envolta em roupinhas de seda, chapéus e flores. A personalidade dela é um meio termo em relação a Louis  e Lestat: estuda com afinco suas origens, tal como Louis, e mata sem piedade, como Lestat. Acaba tão próxima de Louis que se torna o principal motivo para ele viver.

"Uma pessoa em quem o silêncio habitual não significava angústia ou arrependimento." (pág. 155)

Assim como em Violino, os personagens são o ponto forte. Nada é mais ou menos, têm intensidade. Quando eu li (há mais de um mês) pensei em não escrever nada sobre o livro, porque achei que não fosse conseguir. Criei familiaridade com a história e interesse em ler depois que o pessoal da Mob Ground postou uma resenha do livro. E uma resenha perfeita, completa, com fontes, informações, referências respeitáveis. O que faço aqui no blog não acredito que seja uma resenha de fato, é mais observações que eu gostaria de guardar, talvez até para mim mesma, como um diário literário. Enfim, me encantei com a escrita de Anne Rice e o modo como ela dá vida aos personagens. Recomendo não somente para quem goste de uma literatura mais sombria, mas para todos que curtam uma boa leitura.

RICE, Anne. Entrevista com o vampiro. Rio de Janeiro: Rocco, 1976.

Já estou preparada para as férias

5 de julho de 2012
Cada vez mais to conseguindo sentir a pontinha dos meus dedos quase tocarem as benditas férias do meio do ano. Porque tá difícil hein. Da cadeira de quarta-feira já consegui me livrar (digo, acabar), mas ainda tem as outras quatro do resto da semana. Hoje creio eu que já mato mais uma cadeira. Amanhã tem trabalho, segunda também tem trabalho, terça tem prova e sexta também. Mas já estou sorrindo só pela prévia de férias dessa quarta sem aula.

Mas mesmo com esse montaréu (minha mãe fala isso) de coisas para acabar de fato as aulas e iniciar os dias tão sonhados de liberdade, eu sei que meus dias serão um tanto, hm, ociosos. Eu tenho certeza que não posso incluir viagem dos sonhos nos meus planos pelo lindo fato de eu não ter dinheiro para tal proeza. Mas ok, isso não importa. O que posso fazer no mínimo é sair com meus amiguinhos queridos que eu nunca posso ver, mesmo morando perto, por causa dos horários de cada um. É, sair com amigos é uma boa. Mas ainda assim não sairei com meus BFF's (leia Dimi, Dily e irmã) todos os dias. Quem poderá me salvar? E não, não é o Chapolin Colorado, porque ele não contava com minha astúcia.

Acho que a melhor coisa mesmo a fazer nesse caso é ler e ver filmes. Também seria uma solução para passar o tempo assistir séries, mas to sem perspectiva pra ver nenhuma. Bom, quanto a leitura eu já me resolvi. Há uns dois meses eu comprei os livros d'As Crônicas de Gelo e Fogo, e só nesse fim de semana que resolvi abrir a lindeza da caixa para pegar o primeiro livro da série, A Guerra dos Tronos, do bom velhinho G.R.R. Martin. Também há alguns meses uma amiga da minha irmã emprestou novamente o livro Avalon High, da Meg Cabot. Já tinha lido esse faz tempão, mas decidi que nessas férias o releria. E, por final, ontem minha colega me emprestou um livro da mesma autora de Melancia, Marian Keyes, que adorei quando li. O título do que minha colega emprestou é Tem Alguém Aí?, mas ainda não sei do que se trata e nem tive o trabalho de ler contracapa ou orelha. De qualquer forma lerei.

A bolotinha de pelos branca é o gatinho da minha irmã

Mas esses livros não são tão pequenos assim. A Guerra dos Tronos tem 587 páginas, mas tem que levar em consideração o tamanho da letra e espaçamento, que são pequenos demais. Avalon High já é menorzinho, tem 350 páginas, e tanto as letras quanto o espaçamento se tornam garrafais perto do livro anterior. Tem Alguém Aí? me impressionou quando fui olhar o total de páginas. Tem um pouco mais d'A Guerra dos Tronos, 598 páginas, mesmo não aparentando. Mas assim como Avalon High, suas letras são enormes. Enfim, somando tudo isso daí, dá 1535 páginas (oi calculadora). Tenho uma mini meta de ler os três em até 30 dias, ou seja, se eu ler mais ou menos umas 50 páginas por dia, acabo a leitura dos três durante as férias. 

Tá, quanto aos livros to bem resolvida, fiz até conta na calculadora. Já a lista de filmes também tá pronta, quero ver é cumprir com toda ela. Não sei se já mencionei isso aqui, comecei a anotar todos os filmes que as pessoas me indicam e/ou dizem que são muito bons (e não somente de outras pessoas, os que vejo por aí nas internets da vida e penso que podem ser legais). Aí deixo registrado nas últimas páginas do meu caderninho de guerra. Ok, tá na lista: 
  • Like Crazy
  • A árvore da vida
  • O menino do pijama listrado
  • Dois dias em Paris
  • Expresso Transiberiano
  • Eternal Sunshine of The Spotless Mind
  • Lost in transition
  • This must be my place
  • Brüno
  • The Breakfast Club
  • Projeto X
  • Super 8
  • Janela Indiscreta
  • Psicose
  • The man who knew too much
  • Melancholia
  • Viagem a Darjeeling
  • God Bless America
  • Love me if you dare
Enfim, é basicamente isso. Tenho certeza que não verei tudo isso aí, mas mesmo assim aceito dicas tanto para tirar algum filme da lista como para acrescentar. Principalmente acrescentar. Ah, e outra coisa que pretendo fazer nessas férias: tentar livrar essa tal de internet do meu corpinho. Chega de ficar tanto tempo nisso.

2 em 1: Onde vivem os monstros + filmes que vi em JUNHO

3 de julho de 2012
Onde vivem os monstros
Vemk e me abraça, Carol <3 (o nome do ursão na imagem)
Hoje de tarde eu vi Onde vivem os monstros (where the wilds things are, 2009). É a história de Max, um menino muito fofinho que tem uma linda imaginação (sabe aquelas crianças que ficam inventando coisas do nada e tu fica estupefato com tudo que elas dizem? Então, Max é uma criança assim).

O início da história mostra a relação toda legal que ele tem com a mãe e o orgulho por ter seu próprio iglu na neve (no pátio, mas ainda um iglu). Depois, numa "briga" de bolas de neve com os amigos da irmã mais velha, seu iglu é pisoteado e isso o deixa realmente triste (poxa, estragaram o lugar dele). Corre pra casa, destrói as coisas da irmã, faz um mini-desabafo com a mãe, mas continua indignado. Depois da janta, o menino fofo se desentende com a mãe e foge de casa, e vai para uma floresta, e vai para o mar, e navega durante um dia, e se depara numa ilha. E, nessa ilha, encontra monstros. Que não são tão monstros assim.

Me apaixonei por esse filme. E não sei se é por causa da TPM, mas eu morri chorando enquanto assistia. Sim, é por causa da TPM. Mas o filme tem lá seus motivos pra emocionar. A história é toda inocente, toda voltada à imaginação que as crianças tem, e trabalha muito bem isso. É impossível ver e não se lembrar daqueles momentos bons que se atirava (pelo menos eu fazia isso) todos os ursos de pelúcia em cima da cama e fazia uma história diferente para cada bichinho. Assistir esse filme é praticamente olhar pra infância que se teve.

P.s.: enquanto procurava uma imagem lindona pra colocar no post, descobri que esse filme é baseado no livro de mesmo nome, escrito por Maurice Sendak e distribuído aqui no Brasil pela Cosac Naify. Quando  eu for ryca eu compro.

Filmes que vi em junho
Mês passado eu fiz uma lista dos filmes que tinha visto durante o mês. Vi poucos, e acho (tenho certeza) que nesse mês foi menor ainda a quantidade. Ok, ok. Preguiça reinando é uma praga, mas juro que não tenho culpa (é mais forte que eu). Pra não ficar me enrolando e escrevendo coisas nadavê, lá vai a singela lista:

Eu me remexo mexo (8)
Lolita (1962): um professor de filosofia se hospeda num hotel e não sabe se vai embora ou se fica (a dona do estabelecimento é uma viúva que de cara se joga no escritor bonitão). Mas essa dúvida some completamente quando ele desce para o pátio e vê a filha adolescente da dona do hotel. Detalhe da menina: de biquíni, tomando banho de sol. Ok. O professor bonitão se chama Humbert Humbert (tente pronunciar isso rápido, rs) e depois de um tempo acaba se casando com a dona do hotel, Charlotte Haze. Mas não adianta, os olhinhos do professor danadinho são todos para a menina Dolores Haze, que ele chama carinhosamente de Lolita. E, de tão obcecado pela enteada, começa a fazer anotações no seu diário sobre ela. Aí a mulher descobre, morre (atropelada, pra felicidade do professor), e então ele fica livre para "cuidar" de sua amada menina. Que de menina só tem o corpo, né (o professor é safadinho mas a menina também colabora, E MUITO.) E esse também foi um filme que eu descobri que era um livro só depois que fui procurar por imagens.

Sem legenda legal aqui
Star Trek  - The motion picture (1979): pra início de conversa, Star Trek é um daqueles clássicos que nunca tinha visto (nenhum do trocentos filmes o:). Caso eu fale bobagem, é porque sou n00b mesmo, não me crucifiquem, nerdões de plantão. (Pensando bem, eu não vou saber explicar, vou apenas copiar e colar a sinopse da Wikipedia). "É um filme americano de ficção científica de 1979, dirigido por Robert Wise e o primeiro longa-metragem baseado na série de televisão Star Trek. Quando uma misteriosa e incrivelmente poderosa nuvem chamada de V'Ger se aproxima da Terra, destruindo tudo em seu caminho, o Almirante James T. Kirk assume o comando de sua antiga nave estelar, a USS Enterprise, para liderar uma missão para salvar o planeta e determinar as origens de V'Ger" (fonte). Tenho que dizer uma coisa sobre esse filme: o monte de imagem do espaço que aparece dá muito, mas muito sono mesmo. E tenho mais outra coisa pra dizer: quem já leu a série O Guia do Mochileiro das Galáxias sabe que a resposta pra Vida, Universo e Tudo Mais é 42. Só não se sabe a pergunta. Nesse filme traz um questionamento parecido (qual a pergunta?). E isso me deixou curiosa, queria saber quem se inspirou em quem, rs. Já que tanto O Guia como Star Trek são da mesma época. E sim, eu sou n00b.

Papai ou amante? #polêmica
Entrevista com o vampiro (1994): essa foi uma das poucas vezes em que leio primeiro o livro e depois vejo o filme. Bem, Entrevista com o vampiro é, um tanto obviamente, uma entrevista com um vampiro. Esse vampiro se chama Louis e resolve então contar toda vidinha vampiresca para um jornalista qualquer de plantão. Começa contando sua vida a partir da transformação, feita por Lestat. Mesmo sendo vampiro, Louis continua com seu lado humano, achando que não se deve matar humanos, assim, só por matar, só por instinto, e também acreditando que ser vampiro deve ser algo muito maior que viver da morte. E com esses pensamentos, Louis tem suas lindas crises existenciais enquanto come ratos para poupar a vida humana. Lestat, um loirão debochado que acha que sabe de tudo, resolve presentear o seu "amigo" transformando uma criança, Claudia. Observações: quanto a relação livro versus filme, acho que a adaptação foi bem fiel, bem feitinha nos detalhes. Mas teve coisas que me deixaram chateada (vulgo #chatiada), como por exemplo a relação Louis x Claudia. No livro existe quase uma devoção entre os dois, existe aquela dúvida impertinente sobre como eles se veem, porque Claudia tem corpo de criança, mas pensa como adulta. E acho toda relação linda e com ar de mistério, o que não foi passado no filme. Mas recomendo (tanto o livro como o filme).

OBSERVAÇÃO: eu quero continuar postando os filmes que vejo, mas não sei se quero continuar fazendo lista desse jeito, postando os que vi no mês. Acho que o post fica grande demais. Então eu pergunto: vocês preferem um texto mais longo, ou texto mais divididos, com apenas um tema?
 

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