Violino - Anne Rice

30 de abril de 2012
A narrativa de "Violino" tem dois personagens de forte personalidade: Triana e Stefan. 

Triana é uma mulher de meia idade, envolta de dor, mas acostumada com ela. Fora casada, mas deixara seu marido escapar de suas mãos facilmente (primeiro para sua irmã mais nova, depois para outra mulher). Tivera uma filha, que morrera de câncer. Casara-se novamente, mas seu marido, portador de Aids, também viera a falecer. Órfã dos seus pais, culpa-se por isso. Sua irmã, desaparecida. Apaixonada por música desde criança, mesmo um tanto resignada por nunca ter conseguido tocar nada bem, acaba encontrando alento nela, pesquisando seus compositores favoritos, pesquisando e procurando conhecer um mundo que ela não podia participar. 

Stefan é um fantasma. Um encantador fantasma de um jovem aristocrata russo do século XIX, amigo e discípulo de Beethoven e Paganini. Um misterioso fantasma, que carrega consigo um violino raro, mágico, um verdadeiro Strad, que encanta a quem ouve. E é com esse violino que Stefan tenta seduzir Triana, depois enlouquecê-la com suas memórias tristes (memórias de ambos). Mas, mesmo o fantasma sabendo ler seus pensamentos, suas lembranças, Triana se mostra uma mulher mais forte do que aparenta, travando com ele quase que uma luta de passados entre os dois.

É um livro confuso de início, se demora um pouco para pegar o ritmo da escritora. É também muito detalhista,  mas não de uma forma tão material. No livro, cada gesto, cada coisa que interage na cena descrita tem algo de emoção, algo que represente ou que leve a relembrar algo. Vale lembrar que a história é contada em primeira pessoa, na voz de Triana.

Acredito que não seja um livro para todos. Tem poucos personagens, pouco história em si para ser contada. A narrativa gira em torno de um objeto, do amor verdadeiro da mulher e do fantasma para com o violino. Também tem uma escrita pouco verbal, sem muita ação. Mas posso dizer que gostei, sim. Nunca tinha lido nada da autora, mesmo tendo já ouvido muito sobre ela. Recomendo o livro, mas não custa relembrar o que eu disse no início desse parágrafo: talvez não seja para todos.

RICE, Anne. Violino. Rio de Janeiro: Rocco, 1999.

Das lembranças

28 de abril de 2012

“Olhar pra trás e saber que venceu o que conseguiu te derrubar por algumas vezes, as tais lágrimas hoje tão mais fáceis de conter, saber que conseguiu esquecer razoavelmente rápido o que pensou que te atormentaria por mais um longo tempo, sorrir sinceramente, sem precisar fingir é de aliviar […] O que não mata, fortalece, e é isso! Direciona teus caminhos, não se deixe levar por qualquer sorriso, nunca sabe o que há por trás deles, não confie em todos que com simples e poucas palavras tentam por trás disso, te derrubar! Fique forte, seja forte, seja você.”
Texto - Tumblr

Bolo de chocolate

Eu sou uma pessoa prática, geralmente. Prefiro que as coisas se resumam a sim e não, sem muitos rodeios. Prefiro que as coisas aconteçam rápido antes que eu perca a empolgação. E isso se reflete numa coisa que eu mais ou menos sei fazer: bolos de chocolate. Sim, bolos de chocolate. Já explico.

Hoje, com fome e sem nada de interessante para comer em casa, resolvi fazer bolo de chocolate. CURIOSIDADE: Sabia que a única receita de bolo que eu sei fazer é de bolo de chocolate? Mais, sabia que eu somente sei fazer UMA receita de bolo (de chocolate)? Pois é. Então foi essa mesma que eu fiz.

Minha mãe recebeu a receita do bolo uma vez de uma amiga dela, que me repassou carinhosamente a receita por ser idiotamente fácil e do tipo qualquer um conseguiria fazer essa receita, então tu também consegue. Algo assim.

Fui então fazer. Não me lembro como era, mas sei que deu certo pela primeira vez que fiz. O bolo ficou bonito e grandão. Segunda vez, mesma coisa. Pronto, aquela era a minha receita. 

Mas tem uma coisinha: eu não faço a mínima ideia de como era a receita inicial, aquela que eu recebi da amiga da minha mãe. Eu simplesmente pego todos os ingredientes e os misturo à minha maneira. 


Vou escrever, ou tentar pelo menos, do jeito como faço:

  • Três ou quatro ovos, depende da vontade de fazer um bolo maior ou não;
  • Duas xícaras de açúcar, pode ser mais ou menos, como quiser;
  • Três xícaras de farinha, mas se quiser colocar mais, também não tem problema;
  • Um tanto de azeite, que acredito eu que seja (mais ou menos) 1/3 de xícara de chá, mas coloca quanto quiser também;
  • Uma xícara de leite, bem cheia;
  • Fermento à gosto;
  • Monte de colheres de Nescau (ou Toddy, ou qualquer outro achocolatado BOM).

Depois que tem tudo isso, é só juntar. Primeiro eu coloco os ovos, o açúcar e o azeite numa vasilha e misturo tudo com a batedeira. Dou uma paradinha e coloco o leite. Bato mais um pouco e coloco então a farinha, o fermento, e o achocolatado. Aí agora não uso mais a batedeira e sim uma colher de pau (ou qualquer coisa que faça aquela massa toda estranha ficar uma coisa homogênea). Feito isso, é só colocar toda aquela coisa marrom dentro de uma forma untada e colocar no forno previamente aquecido. Espera uns 35 min. e pronto, tá feito o bolo.

Ah, e a cobertura é um pouco de manteiga, com um pouco de leite e um pouco de achocolatado tudo numa panela e esquentar. Depois que jogar a cobertura em cima do bolo, é só jogar (também) granulado de chocolate, À VONTADE.

Viram como é simples? Junta tudo, mistura bem e coloca pra esquentar. Eu não gosto de ficar medindo as coisas exatamente, embora quem saiba cozinhar sempre recomende que aquela medida deve ser respeitada e tal. Que seja. Prefiro jogar todos os ingredientes de qualquer jeito e esperar no que vai dar. Mais simples assim, e se der errado, é só fazer diferente da outra vez que uma hora acerta.

Eu tweetei que tinha feito um bolo e o @LuksViera (do blog Leituras Sem Compromisso) me questionou se eu iria postar sobre isso. Taí.
27 de abril de 2012

Ultimamente ando sem tempo, acordo e vou trabalhar, trabalho e vou estudar, estudo e vou dormir, durmo e vou acordar. Esta é a minha vida durante toda a semana. Parece uma vida agitada mas sem novidades, o que é mentira. É agitada sim, mas trabalhar com crianças é a maior das aprendizagens, todo dia acontece algo novo, escuto coisas sem sentido, mas fantásticas. A profissão de Professora me mostrou que na maior parte do tempo acabamos aprendendo e não ensinando. Aprendemos a amar, aprendemos a ajudar, aprendemos a ver a vida de um jeito melhor, pelo fato de estarmos lidando com seres sem maldade, seres puros. Estou apaixonada pelo meu trabalho, apaixonada pelo meu estudo, apaixonada pelas pessoas, pela vida.
Por que eu escrevi isso? Não sei, deu vontade.

Atchim (ad infinitum)

26 de abril de 2012
Meu querido diário,

Hoje espirrei o dia todo, todinho mesmo, e ainda continuo espirrando. Será isso rinite? Não sei. Minha mãe diz que é, mas não faço a mínima ideia, nem sei direito o que é rinite (a única coisa que sei é que é uma inflamação de alguma coisa, porque -ite significa inflamação, sei lá). 

Acho que o que mais colabora para tanto espirro assim são os meus gatinhos. Quer dizer, não que sejam ELES os culpados, mas é que eles ficam muito tempo dentro do meu quarto, aí existe um grande risco deles soltarem pelos por todo chão, cobertas, roupas. Tristeza, tristeza. Eu até tento evitar, mas é mais forte que eu e acabo sempre cedendo e deixando a porta aberta para as fofuras passarem. Olha só que coisas mais fofas: clica, clica

Minha mãe que odeia isso. Porque, além de deixar alguns delicados pelos pelo meu quarto, deixam, principalmente, pelos por toda a casa. A sala é de longe o alvo principal (onde as criaturinhas passam mais tempo, depois da minha cama).

Acho que a solução da coisa é deixar os gatinhos tomarem um sol o dia todo e recolher somente à noite (ou não). Talvez esse monte de espirro também seja só por causa da mudança do tempo (o que eu entendo de mudança de tempo?).

Ah, sei lá. Só sei que espirrar me deixa mega irritada, com muita sede e muita fome. Irei resolver esses "probleminhas" agora. Boa noite, diário.

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Ah, muito por acaso acabei conhecendo Oh Land  - Rainbow. Nunca tinha ouvido e gostei. Meio que perfeita pra antes de dormir, coisa que farei agora.


Semana de provas

24 de abril de 2012

Parece que todo mundo para na mesma semana. Cursos, faculdades, colégios. Coincidência, ou não, sempre tem aquela semana que todos os professores parecem querer ferrar com a vida de todos os alunos e aplicar todos os trabalhos e provas juntos (quanto mais difícil e mais coisa para ler, melhor). 

Pois bem, essa é uma daquelas semanas cheias de coisa pra fazer, completinha de segunda à sexta de provas e trabalhos. Trabalho de segunda-feira, que é Telejornalismo I, já tá prontinho (sexta-feira passada eu deveria ter ajudado os meus colegas a terminar, mas eu tinha outro trabalho na mesma hora, então só pude chegar lá no estúdio beeem depois, mas aí já era tarde, meus colegas já tinham ido embora  - e nem pra me avisar, né ._.). Hoje, terça-feira, também já me livrei. Tinha prova de Redação I, mas era bem fácil, a meu ver. Só tinha quatro questões, e era sobre uma notícia sobre a proibição da boneca Barbie na Arábia Saudita, por ser imoral. Ok, né. Amanhã terei prova de Sociedade e Contemporaneidade e tem também entrega de trabalho. Quinta-feira tem prova, e sexta também (e entrega de um trabalho, que ainda não fiz).

Enfim, to cheia de coisa pra estudar, e um tantinho pra fazer. Bem que poderiam deixar todo esse monte de coisa divididas em duas semanas, né? u.u Ficaria bem melhor, rs.

Ah! Fiquei super indignada hoje. Fui comprar café de maquina, lá na Ulbra, e coloquei a moedinha bonitinha de um real. Escolhi capuccino, apertei um monte de vezes, e nada de começar a funfar aquela coisa. Depois só que fui me tocar que tinha post-it cor-de-rosa bem na minha cara (igual ao da foto, por sinal) dizendo que  era R$ 1,25. VÊ SE PODE. O café já é pequeno, e as vezes ainda aguado demais. Ainda me aumentam o preço? Pelamor. 

Mas tudo bem, posso controlar um pouquinho a minha vontade quando quiser tomar café no intervalo da aula. Agora tenho que ler vários PDF's, terminar um livro, ler mais algumas coisas perdidas na mochila. E dormir. Dormir, dormir, dormir.

Persépolis (completo) - Marjane Satrapi

23 de abril de 2012
"Marjane Satrapi tinha apenas dez anos quando se viu obrigada a usar o véu islâmico, numa sala só de meninas. Nascida numa família moderna e politizada, em 1979 ela assistiu ao início da revolução que lançou o Irã nas trvas do regime xiita - apenas mais um capítulo nos muitos séculos de opressão do povo persa.

Vinte e cinco anos depois, com os olhos da menina que foi e a consciência política à flor da pele da adulta em que se transformou, Marjane emocionou leitores de todo o mundo com essa autobiografia em quadrinhos, que só na França vendeu mais de 400 mil exemplares. 

Em Persépolis, o pop encontra o épico, o oriente toca o ocidente, o humor se infiltra no drama - e o Irã parece muito mais próximo do que poderíamos suspeitar." (contracapa)

O livro "Persépolis" é uma autobiografia em quadrinhos. Conta a história da iraniana Marjane Satrapi, a autora, desde os seus dez anos de idade, após a dita "revolução islâmica", sua estada em Viena, durante quatro anos, até sua volta ao Irã, aos 25. A menina, que amadurece rapidamente devido as circunstâncias, se vê em altos e baixos. 

Com apenas 14 anos, a menina deixa seu país de origem e vai, sozinha, estudar em Viena, pois sua visão de mundo já era ocidentalizada e, naquela situação em que se encontrava o país, com as tradições sendo impostas a todo vapor, seria muito perigoso ela continuar lá. 

Estuda num liceu francês, num colégio católico. Também encontra problemas nesse novo país, o choque de culturas é muito grande. Faz novos amigos, mas para se sentir inclusa no grupo, acaba se afastando da sua história, da sua religião e crenças. Nisso ela se sente um tanto perdida, com uma crise de identidade do tipo "o que eu sou, afinal?"

A guerra, as mortes, as pessoas que conheceu, o choque de culturas, tudo isso fez com que Marjane mudasse aos poucos, mudasse sua vida. É isso o que livro mostra, de um jeito sincero, sem medo de mostrar os erros, as angústias, com um toque de humor no meio de todo o drama.

SATRAPI, Marjane. Persépolis (completo). São Paulo: Companhia das Letras, 2007.

O menino do pijama listrado - John Boyne

22 de abril de 2012
Faz um super tempo que tenho esse livro em casa, mas sempre tive aquela preguicinha de ler, por dois motivos principais. Primeiro: eu tenho "monte" de livros emprestados de outras pessoas aqui em casa para ler, então sempre fui empurrando esse pro fim. Segundo: quase todo mundo já leu/viu o filme, e era sempre a mesma coisa que me falavam, "é triste", "nossa, eu chorei", "acontece isso no final"*. Então essas duas coisas somadas à preguiça enorme me fez adiar um pouquinho.

A história se passa em Berlim, Alemanha. Bruno é um menino pequeno, de nove anos, que se considera explorador.  Tem uma irmã chamada Gretel que, segundo ele, é um Caso Perdido. Por causa do trabalho importante do pai, a família do garoto se vê obrigada a mudar e vão para algum lugar da Polônia, lugar esse que Bruno acaba tendo antipatia de início. Com o tempo, vê que não é tão ruim assim morar lá, mas, com seu olhar inocente sobre as coisas, não entende direito o que tem de diferente nesse lugar estranho. 

Há uma cerca que separa dois grandes grupos de pessoas, consegue ver isso da janela do quarto, mas Bruno não sabe o que se passa lá. Não sabe e nem quer perguntar, de algum maneira sente que seu pai não iria gostar desse tipo de questionamento. Decide então fazer o que mais sabe bem fazer: explorar. E nessa exploração ele encontra aquele que seria seu único amigo.

"O menino do pijama listrado" tem como fundo a guerra, mas de um jeito filtrado pela inocência de Bruno. A leitura é simples e bem rápida, e flui. Livro super ótimo para ler num domingo à tarde, ou num dia chuvoso, recomendo <3. 

BOYNE, John. O menino do pijama listrado. São Paulo: Companhia das Letras, 2007.

*Meu professor da cadeira de Ciência Política viu que eu estava lendo esse livro então usou ele como exemplo de alguma coisa que tava falando no momento. Minha colega levantou a mão e contou o final. O professor fez questão de contar partes do livro. Sabe, não curti muito isso.

Como fazer um colar reciclável

20 de abril de 2012


To um tantinho mais velha hoje

18 de abril de 2012
Que se acendam e se apaguem as velinhas! Dezenove delas, encarreiradas, num círculo perfeito. Primeiro pedaço do bolo vai para quem? Com quem será, com quem será que vou casar?

Dezoito de abril de mil novecentos e noventa e três nascia uma criaturinha pequena, sem cabelo, sem nada. Uma menina que demoraria dois anos para começar a falar, que fazia um cinco enorme com a mão aberta quando perguntavam que idade tinha, mesmo tendo apenas quatro (aos quatro anos dizer que tinha cinco me fazia sentir muito mais velha). Uma menina que não gostava de ver tevê e tudo o que queria era aprender a escrever (o que será que esses rabiscos bonitos que as pessoas fazem quer dizer?). Uma menina que deixava as bonecas de lado para subir nas árvores, se sujar de terra, correr sem sentido pelo pátio. Uma menina sem muitos amigos, mas que tinha o mundo na cabeça, que tinha todos os amigos que quisesse enquanto viajava numa de suas brincadeiras (todos seus brinquedos eram de verdade, com suas histórias e personalidade).


É estranho pensar que essa menina cresceu, que virou gente (ou pelo menos acha que virou). Hoje estou eu aqui, fazendo 19 anos, mas parece ainda como se eu estivesse esperando fazer apenas 12 (fazer 12 anos era tudo o que eu queria quando tinha oito). Esse tempo todo passou tão, mas tão rápido que as vezes ainda acho que foi ontem que tava na 5ª série. Enfim, parabéns pra mim.

p.s.: Eu era tão fofa quando era pequena, né? NÉ? Eu amava loucamente a minha bicicleta da Barbie (mesmo não curtindo muito a boneca) e também amava esse urso de pelúcia sem-pelúcia que eu seguro na foto do meio. Era muito fofo dormir com ele, mas sempre que acordava tava debaixo da cama, er. 

Fim de semana infantil, AE

16 de abril de 2012

Que lindo, que lindo, que lindo. Ontem (sábado) resolvi cortar o cabelo. Quer dizer, não cortei cortei de verdade, só fiz uma franja. Mas se levar em consideração que tava uma porcaria de tão sem graça, já é uma grande coisa, né. 

Mas, porém, contudo, todavia, mamãe não gostou. Sei lá porquê não gostou, tudo que eu sei é que ela fez uma grande cara de Eca Sai Daqui e eu realmente fiquei um tanto sem entender. Mas ela deixou bem claro que foi para o cabelo.

Franja me deixa feliz, acho que porque fico com cara de criança. O que soa um tanto irônico, pelo menos pra mim, porque nunca fui uma criança fofa. Esse foi um dos pontos que minha mãe reclamou: fico com cara de criança. Mas daí eu penso: já tenho cara de criança, corpo de criança e uma mente que as vezes viaja também pela infância. Por que também não o cabelo?

EEE falando nessa coisa de parecer criança e tal, eu e minha querida maninha passamos o fim de semana fazendo o que a gente mais gostava de fazer quando éramos crianças (o que não faz tanto tempo): costurando, pintando, recortando, fazendo bagunça por tudo. Pra realizar essa bagunça toda, pegamos um calça jeans que minha mãe não usava faz tempo e fizemos um short marinheiro (até que ficou usável, rs). Com o resto do jeans, eu comecei a fazer um colete ( também com motivos do tipo ~marinheiro~), mas ainda não acabei. Lá pelas tantas, resolvemos desenhar numa camiseta, taaambém do tipo marinheiro. A camiseta ficou linda, sério. Outro dia minha irmã posta aqui os tutoriais ou seja lá o que for nesse blog.

p.s.: a imagem desse post ficou muito eu me amo, eu sei. Mas é que eu tava testando efeitinhos legais pra foto e gostei desse, então coloquei aqui como desculpa eu ter cortado a franja. Ou talvez porque eu me ame mesmo.

Prédio 6

13 de abril de 2012

Parte da tarde fazendo trabalho. À noite, aula. No intervalo entre a primeira e a segunda coisa, me sentei numa das poltronas azuis e comecei a ler. Acho que minha mente acompanhou a transe que se passa no livro e ficou um tanto sonolenta. Teve uma hora que meus olhos baixaram e e minha cabeça caiu um pouco. Jurei que estava na minha casa. O mais engraçado é que justo no momento que minha cabeça baixou, com sono, começou a chover. Sentir a sensação de que não estava na faculdade foi mais fácil nesse momento.

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Meu trabalho era da cadeira de Tele I, e minha função nesse dia era passar uma parte da tarde  acompanhando um grupo de crianças e adolescentes que tem algum tipo de deficiência e que fazem educação física para ajudar na psicomotricidade (acho que escrevi certo). Fomos eu e um cinegrafista fazer as imagens e entrevistas. O que eu achei diferente foi que, na maioria das vezes, quando vemos (grande parte na tevê) esses grupos de ajuda, o que compõe a maioria são crianças com Down. Lá não. Grande parte era autista. Teve um menino que, acredito eu, tenha simpatizado comigo. Pelo menos foi o que os monitores disseram. Era autista e não falava, tentava então se comunicar comigo com gestos, e eu, meio sem saber o que fazer, tentei o mesmo. Ele estendeu a mão, eu retribui, e ele quase me puxou na água (a atividade daquela semana era na piscina). Me afastei pra não escorregar.

Feito isso, entrevistas e conversas e imagens, decidi me sentar numa daquelas poltronas azuis do prédio 6, poltronas gostosas pra se deitar e dormir. Tivesse vontade disso, mas me contive e comprei um café, pra ficar um pouco mais acordada. Puxei meu livro da mochila e comecei a ler. Tinha parado bem na parte que a personagem principal estava sonhando, delirando, achando que tudo fosse verdade. Acho que me deixei levar por essa aura de loucura e caí em sonolência. Fechei os olhos, mas lentamente, não queria admitir que queria de fato dormir. Pisquei cada vez mais devagar, e pronto, fechei os olhos de vez. Questão de segundos, talvez até menos, me transportei para longe, ou nem tanto, pensei por um momento que estivesse em casa. Olhos abertos, silêncio. Olhos fechados, barulho de chuva. Não, não poderia estar ainda no prédio 6. Já devia ter voltado pra casa. Acordei de súbito, como quem acorda de um susto, ou por se lembrar que tem algo de errado. E tinha. Eu não estava em casa, eu não estava num lugar ao longe. Continuava ali, no mesmo prédio 6, com minha mochila ao lado, no chão, e o livro no colo. O café estava na mesa.

Olhei a hora no meu velho celular e vi que já podia rumar ao prédio 11, esperar meus colegas para concluir meu trabalho (que, no final, acabou nem dando para terminar). Deixemos o resto para segunda.

Violino - trecho

9 de abril de 2012
Sou fã de bibliotecas de longa data, e já disse isso aqui algumas vezes. Geralmente vou à biblioteca pública, a que fica no Centro de onde moro, mas ultimamente estou com uma preguiça maior que a de sempre, então acabo sempre deixando pra depois, e depois, e depois, e acabo nunca indo.

Hoje a aula acabou mais cedo. Não tinha nada para fazer, o ônibus ia passar no mesmo horário de sempre. Fui fazer uma visita às estantes, passar os dedos por cima dos títulos, pesquisar capas que me chamassem a atenção. A maioria dos livros que tem na biblioteca da faculdade são objetivos aos cursos, mas consegui encontrar uma estante de literatura americana, e peguei para ler "Violino", de Anne Rice. Nunca li nada dela, então resolvi que seria uma boa hora para conhecer. O livro parece interessante, a sinopse diz se tratar de uma mulher apaixonada pela música e um fantasma que a assombra, e compartilham da mesma paixão.

"É como uma música caminhante, a música de alguém que sobe obstinadamente, quase raivoso, uma montanha. É ir em frente, como se a pessoa nunca fosse parar. Então a música chega a um lugar tranquilo, como se entrasse nos Bosques de Viena, como se a pessoa ficasse repentinamente imóvel e exultante e tivesse a vista que esperava da cidade e pudesse atirar os braços para o alto - dançar em círculos. A trompa está lá, o que sempre nos faz pensar em bosques, vales e pastores; podemos sentir a paz, a quietude dos bosques, o platô de felicidade daquela pessoa ali parada, mas de repente...

... de repente entra o tambor. E a caminhada recomeça, montanha acima, a determinação de andar e andar. De andar e andar."

(Anne Rice in: Violino. Ed. Rocco, p.13)
 

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