Teas & dogs - diarinho #2

11 de dezembro de 2017
Domingo, 10 de dezembro de 2017

Talvez eu tenha virado vó antes mesmo de ter filhos: comprei dois pares de meia para minha amiga secreta. Para minha defesa posso dizer que esse item estava na lista de desejos dela. Espero que goste. Tô morrendo de sono e preguiça de embrulhar.

Modelei e costurei quase todo o casaco de moletom. Só não consegui terminar porque minha máquina de costura doméstica que já está uma senhora não aguentou o tranco de costurar três camadas de tecido grosso. Vou precisar costurar o que falta lá no curso, com as máquinas industriais.

Terminei de ver O Justiceiro e também Stranger Things. Outro dia vi Animais Fantásticos e Onde Habitam. Coisas legais, mas nada que ficasse favoritado no meu coraçãozinho. Cada vez vejo menos filmes e mais séries e não sei se gosto disso. Série é legal, mas é rotina, novela. Filme é outra vibe.

Também pela primeira vez na vida entrei numa loja de chás e fiquei ENCANTADA. Nunca senti tanto cheiro bom na vida. A moça simpática que atendeu mostrava as latas cheias de chá à granel pra gente (eu e namorado) cheirar e meu Deus? Que coisa maravilhosa??? Nunca fui tea person porque sempre associei o ato de tomar chá com ficar doente – graças a minha mãe, que sempre me entupiu de chá de tudo quanto é folha de árvore quando ficava gripada. No fim compramos 50 gramas de dois chás diferentes, que agora não recordo o nome. Foi uma fortuna, mas uma fortuna cheirosa.

Catarina, a Grande

Segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Hoje foi o primeiro dia que Catarina, nossa filhotona, saiu de casa para passear. Moramos no quarto andar, o último, num prédio antigo sem elevador, ou seja, para a menina descer com as próprias perninhas roliças, foi preciso primeiro aprender a subir e descer as escadas. Os primeiros passos foram completamente desajeitados porque ela simplesmente não sabia lidar com a situação, mas depois quase pegou o jeito e saiu correndo na nossa frente até o portão da frente.

De lá em diante foi só festa. Caminhamos na frente de uns condomínios caros que tem na vizinhança e também numa praça logo ao lado. O Bruno guiou Catarina e eu corri à frente, chamando ela. Tenho certeza que corri mais hoje que todo o resto desse ano. De todas as pessoas que vimos na rua, nenhuma ficou indiferente. A doguinha também foi balançando o rabinho e sorrindo para todo mundo. Teve até gente que abriu a janela do carro em movimento com o sorriso maior que o mundo e gritou LINDAAA. Me senti muito mãe de celebridade.

Finge que isso aqui é uma Moleskine - diarinho #1

7 de dezembro de 2017
Quinta-feira, 07 de dezembro de 2017

Sinto falta de escrever. Talvez não falta de verdade, porque tenho consciência que nunca escrevi tão bem assim (demorei uma faculdade para descobrir isso) e a vida me fez perceber que acho um saco escrever de uma forma geral. Dito isso, gosto de olhar para textos antigos e saber exatamente o que eu estava sentindo enquanto escrevia. É disso que gosto e sinto falta.

* * *

Tenho várias coisas pendentes aqui e muitas preguiças acumuladas. Vejamos: minha irmã vem para casa dos meus pais amanhã, sexta-feira, pela primeira vez depois de quase um ano morando no interior. Tenho que arrumar o quarto – antes também dela – tá uma zona, é o lugar em que faço meus trabalhos, tem papel e tecido e bagunça por tudo. Também preciso transformar uma saia em um calção, como vou fazer isso ainda não sei, mas precisa ser até sábado. Tem a regata da minha mãe que preciso terminar. Tem o molde de um casaco de moletom a ser feito, e preciso cortar o tecido e costurar e deixar tudo pronto até segunda (com a ficha técnica). E aaaah, nesse final de semana ainda preciso comprar um presente para minha amiga secreta. Amei que na lista de presentes ela foi bem clara nas coisas que gostava, mas de um modo geral eu nunca sei presentear ninguém. E a conta de luz, preciso pagar a conta de luz.

E ah, não deixei registrado ainda em nenhum lugar, mas agora vai: mudamos de apartamento dentro do mesmo condomínio. É maior, mais iluminado, mais ventilado, mais bonito porém com o mesmo valor. Ótimo. O que não tá ótimo é a vontade de fazer muitas coisas e acabar sempre deixando para depois. Quero lixar a estante da sala, a penteadeira do quarto e o armário da cozinha, porque é tudo antigo de brique e precisa de uma repaginada, mas e o tempo? E a vontade? E o pó que sai da lixa e vai direto no pulmão? Mas sou confiante e uma hora isso acontece.

E mais um ah!: tenho agora uma cachorrinha, coisa que nunca tive antes na vida. Pegamos ela porque mudamos para um apartamento maior e com varanda (esqueci de mencionar a varanda lá em cima – foi o fator que realmente fez a gente mudar). É uma golden retriever, tem 2 meses e meio e já tá perto dos 10kg. É uma cavala fofa e cagona. Talvez ela seja o nosso teste de responsabilidade antes de ter filhos? Fica o suspense no ar.

Jesus amado, eu to ficando velha.

Você foi uma boa mochila, apesar da alça ruim

25 de setembro de 2017
Desde março desse ano faço o curso técnico de modelagem do vestuário. Um curso que, olha só, te ensina a transformar a ideia, o rascunho, o design em uma roupa de verdade, usável, que sirva. E, para conseguir fazer aquele rabisco de saia ou vestido ou calça ou qualquer coisa imaginável se transformar em partes de tecido que mais tarde serão costuradas e vendidas na loja ou site, é necessário planificar tudo no papel. Haja papel. Haja papel e réguas para fazer o traço certo com as devidas margens de costura.

* * *

Semana passada finalmente comprei a régua-de-quadril, uma régua que serve para desenhar qualquer curva mais alongada do nosso corpo (tipo quadril, rs). Me desloquei -- e aqui vai um adendo: até quando a norma portuguesa vai dizer que é errado colocar o pronome 'me' no início de frase? Ficam tirando a trema, tão bonitinha, e esquecem do mais urgente -- enfim, me desloquei até Novo Hamburgo, cidade aqui do lado que conheço só de nome mas nunca desbravei, e andei pelo desconhecido centro. Confundi o nome de uma rua principal, pedi informação prum guarda de escola particular e ele me respondeu com extrema má vontade, como se eu fosse a pessoa mais burra do universo por trocar o nome de duas ruas paralelas. De qualquer forma cheguei no lugar que eu queria, comprei a bendita régua e voltei pra casa vivona.

* * *

Foi difícil demais acordar hoje. Ontem eu e namoradão ficamos até uma da manhã vendo The Handmaid's Tale (muito bom!!!! horrível, mas maravilhoso!!!), depois tomei banho, mas tava sem o secador e me obriguei a enrolar um pouco pra dormir para o cabelo secar. Pela manhã não tinha despertador que fizesse eu despertar de fato, mas uma xícara de café trouxe de volta a minha dignidade, pelo menos em parte. Entre o dilema de fica zumbi em casa ou ficar zumbi em aula, optei por ser boa aluna e ir pra aula.

O problema é que eu deveria ter sido uma péssima aluna, pelo menos hoje.

Coloquei a mochila nas costas e comecei a descer a rua da minha casa, a rua que eu sempre andei de boas na lagoa a vida inteira, a rua que desemboca próximo ao trem. O dia tava bonito. O óculos de sol estava pendurado na camiseta pronto para ser usado. Um cara numa moto para adiante, começa a xingar a moto, eu sigo meu caminho. Esse mesmo cara se vira para mim, insinua ter arma (se tinha, nunca vou saber) e manda eu entregar a mochila. Agora, pensando bem, não consigo lembrar do momento que eu tiro a mochila das costas. Geralmente demoro porque é pesada, ou porque o braço tranca na alça, ou porque pende mais de um lado que outro, ou me enrosco com ela na roupa. Mas hoje a mochila saiu de mim num piscar, e nesse mesmo piscar o cara sumiu com ela nas costas na mesma moto que até antes ele fingia xingar.

As réguas de modelagem, todas com meu nome, se foram, talvez pra nunca mais, nas costas de um desconhecido. A pasta com todos meus trabalhos orgulhosamente catalogados fazia companhia às meninas de acrílico. Meu celular, que nem quando novo tinha muito valor, se foi sem nem conseguir me dar adeus. As chaves de casa, agora inúteis sem ter o que abrir, foram pro mesmo caminho sem volta. Até a escova de dentes, até o hidratante de rosto. Só fiquei com o óculos de sol preso na camiseta, mas aí o dia já tinha ficado nublado pra mim.

Felizmente eu não tinha nenhum documento na mochila, felizmente não fiquei machucada, felizmente réguas e papel e pasta e escova de dentes podem ser comprados novamente. Consigo sobreviver sem celular, já passei da adolescência. Infelizmente agora tenho receio de andar na rua da minha casa.
 

Follow by Email

Theme e conteúdo por Marina R. - © Marina's Journal 2011 ~ 2017